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Entrevista da semana: Dahyl Freitas Guimarães Júnior (Dilo)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Aos 63 anos de idade e muitas histórias para contar, Dahyl Freitas Guimarães Júnior (Dilo) está há 40 anos no ramo da alimentação com o Buffet Guimarães. Um ramo desejado e conquistado por ele ainda na juventude.

Menino batalhador, o que o empresário mais gostava de fazer na infância era trabalhar. “Nunca fui assim de ter vergonha de nada, desde que fosse para trabalhar, eu estava lá”, lembra.

Entre os trabalhos que mais marcaram sua carreira, os 16 anos de serviços na Fórmula 1, e um tour feito com a Renault por 20 estados brasileiros são os mais marcantes. “Estivemos em Brasília, Manaus, Bahia, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo... O encerramento foi em um congresso na Costa do Sauípe, na Bahia...Foi um trabalho que eu fiz e que senti o meu valor”, diz.

Além de conhecer o Brasil, Guimarães também viaja por outros países para enriquecer o seu trabalho. Pai de uma família numerosa, ele fala sobre a importância da família em sua vida e do doce sabor de ter filhos e netos. Esses e outros temas fazem parte da entrevista abaixo. Confira.

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Jornal da Cidade - Como foi o menino Dahyl?

Dahyl Freitas Guimarães Júnior - Lembro-me muito bem da minha infância porque eu era um menino muito trabalhador, que sempre gostou muito de trabalhar. Por exemplo, nas férias eu fazia questão de trabalhar como pedreiro, ajudante de obra, na empresa de uma tia minha. Eu achava aquilo o máximo. Levava a minha refeição, ficava junto com o pessoal, sentia-me muito bem trabalhando, e isso quando eu ainda era um garotinho com idade entre 10 e 12 anos. Nunca fui assim de ter vergonha de nada, desde que fosse para trabalhar, eu estava lá. Lembro-me que, certa vez, fui até a Pinguim e acertei com o dono para vender sorvetes. Na época aquilo foi o máximo para mim porque eu conhecia muita gente e todo mundo conhecia os meus pais que também eram bauruenses. Trabalhar era o que eu gostava de fazer na minha infância.

JC - Seus pais incentivavam esse desejo?

Guimarães - Na verdade isso partia de mim mesmo. Papai sempre foi funcionário do Banco do Brasil. Foi um homem muito quieto, sério, sempre atleta. Ele praticou muito esporte e foi campeão de várias modalidades, como natação, tênis... Minha educação sempre foi muito rígida, dura... e eu agradeço o que eu sou hoje graças a ele por essa educação que ele nos deu. Sempre muito sério, procurava ser honesto e correto com as coisas.

JC - E você procurou passar essa mesma educação para os seus filhos?

Guimarães - Sempre procurei ser muito correto, rígido e ensinei sempre o certo pra eles. Quando mais jovens, todos os meus filhos trabalharam com a gente no buffet, acompanharam festas... Hoje eu tenho três que trabalham comigo diretamente: a Cláudia, que é o meu braço direito, a nutricionista, que é a Patrícia, e tem a Andrea, que é a caçula. A caçula sempre mexe comigo e dizem que eu sou mais mole com ela e que com os outros eu fui sempre duro (risos).

JC - Qual é a sua formação profissional?

Guimarães - Fiz administração de empresas na ITE.

JC - E como começou a história do buffet?

Guimarães - Como meu pai trabalhou a vida toda no Banco do Brasil e como eu era um menino muito vivo, gostava de fazer de tudo, ele sempre quis me direcionar para o banco. Então, aos 18 anos de idade, eu prestei concurso no Banco do Brasil, passei e comecei a trabalhar, mas o meu sonho sempre foi trabalhar com alimentação.

JC - E como esse sonho foi realizado?

Guimarães - Duas das pessoas a quem eu devo muito por estar onde estou nesse ramo são o senhor Walter Pires Ramos e o senhor Moussa Tobias. Na época, éramos amigos e eu estava no Banco do Brasil. Havia um senhor que tocava o cassino do BTC e esse senhor ficou doente. Então, eu soube que ele estava interessado em vender o negócio e cheguei lá para comprar. Com 18 anos eu comprei o barzinho do cassino do Tênis e ali eu comecei.

JC - Então tudo começou no BTC.

Guimarães - Sim, eu fiquei mais ou menos oito anos com licença-interesse do banco, sem remuneração. No banco eu era perseguido porque as pessoas sabiam que eu tinha serviço fora. Muitos pegavam no meu pé por isso. Mas não liguei. De repente, ficou engraçado, porque o pessoal começou todo a sair de bailes e ir lá no cassino do Tênis tomar canja com o Guimarães, comer sanduíche de filé com o Guimarães, a ponto da diretoria perceber isso e construir um pequeno restaurante para mim, ao lado do cassino. Assim, este ano eu completei 40 anos de buffet.

JC - E quais são os eventos que mais marcaram a sua carreira?

Guimarães - Olha, hoje o maior evento que eu faço e que venho fazendo há 16 anos, é a Fórmula 1. É um trabalho muito bom. Este ano, por exemplo, quando acabamos o serviço, no dia seguinte, o pessoal da engenharia me chamou e já fez uma reunião dizendo o que eu teria para o ano que vem, já marcaram as modificações todas e já está tudo praticamente fechado para 2011. Assim, serão 17 anos de trabalhos na Fórmula 1. Mas também temos outros trabalhos marcantes.

JC - Fale sobre eles.

Guimarães - Um outro trabalho muito grande que eu fiz, por volta de uns seis ou sete anos, foi para a Renault. Fizemos um tour pelo Brasil. Passei por 20 estados servindo coquetel com jantar para 200 pessoas em cada unidade. Eu chegava e montava todo o evento. Na época, eu contratei para trabalhar comigo o Emmanuel Bassoleil, que é um cozinheiro francês famoso. Estivemos em Brasília, Manaus, Bahia, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo...O encerramento foi em um congresso na Costa do Sauípe, na Bahia, do qual eu fui o encarregado geral do evento na parte de alimentação. Foi um trabalho que eu fiz e que senti o meu valor. Foram oito dias em que eu não cheguei nem a dormir. O rodeio de Jaguariúna de 2010 também foi importante. Nós servimos cerca de lá 20 mil pessoas em 200 camarotes. Fomos levados para lá pelo pessoal da Fórmula 1.

JC - Você chegou a conhecer o Senna e outros campeões?

Guimarães - O problema ali é que mesmo você fazendo o atendimento, os pilotos ficam muito reservados. Eles vêm de helicóptero, muitas vezes já alimentados porque precisam de uma alimentação mais light no dia de corrida. O que todos gostam de comer é a nossa feijoada, por incrível que pareça. Nossa feijoada é famosa por lá (risos).

JC - E quanto à artistas?

Guimarães - Atendemos a Xuxa quando ela veio fazer shows na região. Eu era o único que podia chegar perto dela. Na época, o buffet tinha uma Van e ela optou por usá-la. Ela foi muito simpática, era moleca mesmo. Atendemos também o Roberto Carlos, Os Trapalhões, entre outros artistas.

JC - Seu trabalho proporcionou muitas viagens pelo Brasil. E quanto ao exterior?

Guimarães - Todo ano eu procuro fazer uma viagem internacional, inclusive para a Alemanha, onde tenho uma irmã. Procuro me deslocar sempre com a Anna ou com os filhos. Nessas viagens, busco cursos, como já fiz na Itália e França, por exemplo. É sempre bom ter alguma coisa nova para acrescentar ao buffet. É um ramo em que estamos sempre aprendendo. Não se pode falar que é o máximo, mas é preciso sempre estudar, ver, ler...Gosto muito também de ir a Buenos Aires, Bariloche...Aprendo muito com as viagens.

JC - E sobra tempo para o esporte?

Guimarães - Sempre foi meu hobby. Já joguei um pouco de tênis, muito futebol, natação e pratico judô desde os sete anos de idade.

JC - Então ainda luta judô?

Guimarães - Olha, hoje a gente treina (risos). Fui concessionário do BTC durante 15 anos, além de outros clubes. O professor Beto, que hoje é falecido, era meu mestre de judô. Ele adorava chegar e colocar a gente para competir pelo BTC.

JC - E chegou a vencer algumas competições?

Guimarães - A gente sempre ganhava sim, eu era peso-pesado difícil de derrubar (risos).

JC - E qual a importância que o esporte tem na sua vida, hoje?

Guimarães - A importância é grande. Eu pratico academia até hoje. Faço uma hora de ginástica todos os dias. Nunca fumei, não bebo e isso me faz um bem danado.

JC - É preocupado com a saúde?

Guimarães - Não é uma questão de preocupação com a saúde ou medo, não, é que eu me sinto muito bem fazendo esportes. É uma coisa que veio com o exemplo do meu pai. Com setenta e poucos anos ele foi campeão master em São Paulo. Sempre jogou tênis e foi um esportista de primeira linha, um cara sempre com um físico invejável. Acho que eu me espelhei no papai e sempre procurei praticar esportes, sempre.

JC - Você tem uma família grande. O que ela significa para você?

Guimarães - A família é muito pra mim. Tenho cinco netos, dois meninos que já são grandes, o Tiago e o Vinícius, e os pequenininhos, a Nina com dois anos, o Luan com cinco, e tem o Luquinha de um ano. É uma delícia. Minha netinha de dois anos me liga cedo para mandar um beijo e dizer que me ama. Isso é tudo na vida da gente.

JC - E você tem algum projeto futuro?

Guimarães - Na verdade eu tenho um sonho. Quero deixar um salão de festas para os meus filhos, já que todos trabalham e lutam comigo. Ter nosso próprio salão de festas em Bauru sempre foi um desejo meu e da Anna.

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