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Dr. Automóvel: A evolução dos motores híbridos

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 3 min

Há alguns meses falamos sobre motores híbridos, hoje vamos voltar ao tema falando de sua evolução e aplicação prática. É inevitável que as mais recentes tecnologias custem muito caro em seu lançamento e, com o tempo, passem a ser mais acessíveis e populares. Este é exatamente o caso dos veículos híbridos, que têm na verdade dois motores, um convencional ciclo Otto e outro elétrico. Tanto é que foram lançados há quase 10 anos no Japão, Europa e Estados Unidos em pequena escala e hoje já são vistos e reconhecidos na rua. Alguns modelos estão chegando ao nosso mercado, como é o caso do Ford Fusion Hybrid, importado oficialmente pela rede Ford e outros como Mercedes Benz, Toyota, Nissan, Honda trazidos por importadores oficiais e independentes, mais como curiosidade e exclusivismo.

A maioria dos modelos híbridos utiliza seu motor elétrico apenas para deslocamentos urbanos em baixa velocidade, deixando os motores convencionais para uso em estradas e alta velocidade. Assim, na média, há uma substancial economia de combustível e menor geração de emissões de gases.

Diferentemente do conceito acima, surgiu um dos modelos mais bem sucedidos no mercado mundial, a Mercedes S400 Blue Hybrid, lançada em 2008. A Mercedes Benz é uma empresa reconhecida pelos seus carros de alto luxo e qualidade em nosso mercado, mas é fundamentalmente uma grande desenvolvedora mundial de novas tecnologias. A grande sacada da Mercedes é usar o motor elétrico para ajudar o motor convencional em acelerações dando um empurrão de mais de mais 20 CV ao já potente motor V6 de 279 CV. Nada mau! Isto é equivalente ao conhecido KERS usado até a pouco tempo atrás na Fórmula 1, que é um equipamento que regenera energia elétrica nas frenagens e desacelerações e a reutiliza como um motor elétrico auxiliando o motor principal.

Uma central eletrônica gerencia o motor convencional a gasolina e outra controla a função híbrida. Assim são avaliados o modo de tração, velocidade, tipo de pista e piso, distribuição de carga do veículo, e a eletrônica pode definir se o veículo será tracionado pelo motor convencional ou pelos dois simultaneamente. Quando freia, o motor elétrico é usado como gerador, recarregando suas próprias baterias. Mas ele não precisa contar apenas com a recarga própria regenerativa, já que o motor V6 tem potência suficiente para manter o alternador carregando tudo enquanto move o carro.

Dentre outras vantagens da tecnologia Mercedes, destaco a instalação do motor elétrico auxiliar diretamente dentro da transmissão, tornando um conjunto compacto no veículo; o sistema inteligente de escolha e priorização de funções, fazendo com que o motor produza a potência necessária para cada função sem que prejudique outra. Se o motorista estiver acelerando em uma subida, por exemplo, a recarga das baterias fica para depois; um motor V6 convencional otimizado na cidade e um motor 20 CV mais forte na estrada apenas quando necessário, sem aumentar o consumo nem a poluição. Conhecendo os alemães como conheço, a quantidade enorme de estradas boas que eles têm, as velocidades que atingem em uma Autobahn e a consciência ecológica do povo (afinal até agora ninguém pensou em poluir menos na estrada, só na cidade...), achei a sacada genial.

Assim, vemos que a tendência mundial é chegarmos finalmente a um veículo eficiente totalmente elétrico, mas enquanto isso a tecnologia intermediária hibrida vai evoluindo. O próximo passo, acredito, será misturar as tecnologias existentes e termos um veículo que use mais o motor elétrico e menos o convencional, o inverso do que é hoje. O que temos agora é um motor elétrico auxiliar de um motor convencional principal. O que imagino é um veículo com baterias mais eficientes e leves, que segurem mais carga por mais tempo, como nos celulares atuais. A partida será dada pelo motor elétrico, que movimentará o veículo até determinada velocidade sendo então auxiliado pelo motor convencional. Este poderá ser acionado apenas para recarregar suas baterias quando necessário, em acelerações mais fortes ou carga máxima. Esta seria a próxima etapa da evolução, até chegarmos ao elétrico definitivo.

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