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O fim do mito “Sem Limites” e o Planejamento Saudável de Bauru

José Xaides de Sampaio Alves
| Tempo de leitura: 3 min

A "Cidade Sem Limites" do ufanismo do terceiro quarto do século passado acabou. A Cidade Saudável do futuro deve entrar na agenda com urgência sob diversos aspectos, para que não se cometam novos erros no planejamento da cidade "Coração de São Paulo". Os dados já divulgados pelo IBGE, sobre seu crescimento populacional e sua distribuição nas faixas etárias, que causam tanta con-trovérsia atual nos políticos locais, apenas confirmam uma tendência já sentida desde o Censo anterior e que vai acelerar. Não apenas em Bauru, mas em muitas cidades em todo o Brasil. Excetuando-se talvez as cidades do avanço da fronteira agrícola na Amazônia e algumas cidades satélites de regiões metropolitanas, que ainda sofrem com um intenso processo de crescimento por migrações regionais; os índices de crescimento populacional no geral estão caindo aceleradamente, em função de vários avanços sociais, especialmente na consciência coletiva permitida por maior acesso à informação e planejamento familiares, no meio rural e urbano. Concordo com o chefe da unidade estadual do IBGE em São Paulo, Francisco Garrido Garcia, quando aponta no JC que: "Na verdade, a redução destes índices de crescimentos devem ser considerados uma vitória". Estes índices apontam para um futuro, previsto para as décadas de trinta ou quarenta, quando o crescimento da população brasileira deverá estacionar.

Esta questão do ponto de vista da qualidade da vida urbana e dos sentidos sobre a cidade provocarão grandes mudanças, entre elas que o ufanismo imobiliário de expansão sem limites da cidade será muito menor, fato que na discussão do plano diretor de 2006 já apontávamos, sob pena de se ter ainda mais áreas vazias urbanas e causadoras de tantas deseconomias em infra-estruturas e problemas de transporte das camadas trabalhadoras. A população mais idosa e crescente irá cobrar seus direitos ao lazer, esporte, cultura, acesso às artes, as melhorias dos espaços públicos, à acessibilidade, à inclusão produtiva, especialmente intelectual e politicamente, aos transportes etc. Por outro lado, haverá um fenômeno já constatado de menor pressão por espaços educacionais no ensino fundamental e básico, com muitas salas de aulas se esvaziando, dando oportunidade para outros programas multidisciplinares e intersetoriais integrais nas escolas, ao mesmo tempo em que a maior capacitação profissional e tecnológica dos jovens serão fundamentais, porque a queda da oferta de mão de obra obrigará que o setor produtivo capitalista se tecnifique ainda mais, ao mesmo tempo em que os salários "poderão" ser melhores, dentro da disputa pela menor oferta de trabalhadores. Deverá haver em todos os setores, como na saúde e meio ambiente, uma necessidade de um olhar mais aguçado à prevenção e busca de bem estar do que ao tratamento corretivo, nestes casos provocando impactos urbanos positivos, com criação de programas mais intersetoriais entre saúde, esporte, lazer, cultura, meio ambiente, turismo sustentável entre outros, criando novos e melhores espaços urbanos, ao invés das viciadas políticas setoriais isoladas. Provavelmente, para algumas cidades com gestão audaciosa, poderá haver novos paradigmas de discussão e maior inversão do seu orçamento público com base na conquista dessa futura cidade saudável. Outras questões devem ser salientadas; é claro que a população de estudantes do pólo regional Bauru com cerca de 30.000 alunos, que lhe dá também vitalidade e alegria, deve ser considerada, uma vez que para a cidade este contingente é permanente e crescente, pressionando seus serviços, mas trazendo grandes benefícios em recursos governamentais aqui aplicados, como no caso da Unesp e USP, bem como para a rede de comércio, serviços e setor imobiliário entre outros. Ficam ainda duas questões gerais e outra local: crescer não significa desenvolver! Qual o caminho a ser perseguido para uma sustentabilidade do setor previdenciário? Os dirigentes de Bauru estão preparados para um protagonismo da Cidade Saudável do futuro?

O autor, José Xaides de Sampaio Alves, é arquiteto e urbanista; professor da Unesp de Bauru, doutor em Planejamento Urbano e Regional pela USP - RG M. 1590313

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