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Lula, em defesa do Brasil

José Dirceu
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente Lula, prestes a entregar a faixa presidencial a sua sucessora, Dilma Rousseff, voltou a deixar claro que não deixará de fazer política a partir de 2011. Em entrevista a blogueiros, Lula afirmou que ele próprio será, ano que vem, um blogueiro e um tuiteiro. 

Esse ineditismo ficou em segundo plano na cobertura da grande mídia, que perdeu mais uma chance de entrar na discussão sobre regulação, analisando, por exemplo, o impacto que as novas mídias terão na produção jornalística tradicional ou a questão da convergência de mídias. A razão maior desse comportamento é um certo inconformismo com a popularidade de Lula e boa avaliação de seu governo, apesar dos ataques que a grande mídia faz.

Não há dúvidas de que o diálogo direto de Lula com a sociedade, na condição de ex-presidente com maior aprovação e popularidade na história do país, será importantíssimo para enriquecer o debate que precederá as mudanças que a presidenta Dilma pretende fazer - a erradicação da miséria, a preparação do país para a Copa e Olimpíadas, as reformas política e tributária, por exemplo. 

Por sua trajetória política, Lula pode deixar, além de um país menos desigual e em franco crescimento e modernização, um novo papel para os ex-presidentes. Lula ajudou a recriar o sindicalismo, uniu no PT um leque de aspirações políticas dispersas após a redemocratização e, como presidente, conduziu um governo inédito em muitos sentidos e realizações. Essa experiência faz dele uma grande liderança, no Brasil e no plano internacional.

A Internet é um meio que facilita muito o contato amplo. O presidente reconhece que se tornou a liderança que é também graças à imprensa. Mas ressalta que essa já é uma mídia “velha”. Afinal, é na Internet, onde o espaço para o contraditório é livre e infinito, que as opiniões são formadas em um debate ativo, sem imposições empresariais de temas, tempos, espaços e enfoques.

Se for fiel ao pensamento do presidente e de sua sucessora, o projeto de regulamentação da mídia que Lula promete deixar para Dilma certamente contemplará a necessidade de incentivar o pluralismo e a democratização da mídia, criando condições para que veículos de comunicação participativos e inclusivos se disseminem pelo Brasil, o que é promissor. 

Somente dessa maneira o debate político voltará a ser um meio de enfrentamento de idéias e de capacidade de geração de maiorias e consensos, e não somente a riqueza de conglomerados de comunicação e sua transmissão onipresente. Nesse ringue, não há dúvidas, Lula seguirá como um dos maiores defensores dos interesses do Brasil.

O autor, José Dirceu, 64, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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