Brasília - O atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vai assumir no próximo governo o Ministério das Comunicações. A informação foi confirmada ontem por Dilma Rousseff, durante reunião com a cúpula do PMDB, na Granja do Torto, da qual participaram o seu vice, Michel Temer (SP), e os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL).
A ida de Bernardo para as Comunicações significará uma mudança radical na estrutura dos Correios, empresa vinculada ao ministério. Dilma quer substituir o presidente e diretores da estatal, alvo de diversos escândalos desde o primeiro mandato de Lula.
Além disso, caberá ao ministro retirar do papel e impulsionar o Plano Nacional de Banda Larga, projeto atualmente conduzido pela Casa Civil. Neste caso, o assessor especial da Presidência César Alvarez iria para o ministério trabalhar ao lado de Bernardo. Por fim, Bernardo também assumirá também o novo marco regulatório das comunicações, projeto ainda embrionário que, no momento, é conduzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Bernardo herdará o anteprojeto das mãos de Franklin Martins, que deixará o governo. O argumento é de que cabe ao Ministério das Comunicações, por definição, elaborar e conduzir as políticas públicas do setor.
Ministro da Saúde
Ao escolher o médico ortopedista e secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Luiz Côrtes da Silveira, 45 anos, para dirigir o Ministério da Saúde, Dilma Rousseff passa a contar com um quadro técnico considerado competente e criativo. Sérgio Côrtes, no entanto, leva para Brasília o fardo ter ocorrido na sua gestão o pior escândalo político do primeiro mandato do governador do Rio, Sérgio Cabral PMDB). A denúncia de contratos superfaturados em sua pasta resultou na demissão de seu principal assessor nos últimos oito anos, Cesar Romero Vianna Júnior.
Além de contemplar o PMDB, que continua a comandar o ministério de maior orçamento no governo federal, a nomeação traz para a administração da mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) o pai da Unidade de Pronto Atendimento 24 Horas (UPA) - projeto que a petista prometeu, durante a campanha, espalhar para todo o País. Assim como fez com José Gomes Temporão, atual ministro da Saúde, Cabral deve também referendar politicamente o convite ao seu secretário como cota do PMDB do Rio no ministério.
O convite a Côrtes representa o ápice profissional e político de um quadro que ocupou postos importantes nos últimos dez anos, mas que sofreu um duro e desgastante golpe a partir das denúncias que atingiram em cheio a sua administração na Secretaria estadual de Saúde, em maio.