O líder do Partido da República (PR) em Bauru, o médico Fernando Monti, lamentou o pedido de demissão de Rafael Ribeiro, que presidia o Departamento de Água e Esgoto (DAE) até anteontem. Para ele, a principal dificuldade na condução da autarquia foi gerada por distanciamento entre a presidência e servidores.
Sobre a indicação do partido para ocupar o cargo, Monti desconversou. Ele informa que entre hoje e amanhã o novo nome deve ser oficializado, após discussão com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O presidente do partido, que também comanda a Secretaria Municipal de Saúde, lamentou a saída de Ribeiro. “Pelo PR, continuamos com irrestrita confiança no Rafael. Sabemos que ele estava muito devotado com o trabalho no DAE”, pontua.
Mas ele acredita que a fragmentação de cargos na autarquia dificultou as ações de Rafael. “É um órgão que não fez preparação e reciclagem de seu quadro”, observa.
Para Fernando, os casos levantados pelo Jornal da Cidade a respeito do uso de verbas do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) devem ser analisados. “Há muita controvérsia em tudo o que foi levantado. Cheguei a conversar com ele, até pela nossa relação de amizade, sobre isso. A questão da indenização do peixe, por exemplo, se por quilo era o mais acertado, se era desvio de finalidade ou não, quem é responsável por como alocou essa despesa. Tudo isso tem um grau de controvérsia, havia um precedente no passado”, argumenta.
O secretário avalia que Rafael foi tratado de forma dura. “O grau de rigor com o qual ele acabou sendo tratado talvez tenha sido exagerado”, comenta. Mas Monti descarta a tese de que Rafael foi abandonado pelo Executivo. “Nós, o PR, o apoiamos o tempo todo, a ponto de poder te dizer que ao final, o sentimento que ele tinha era que como consequência de tudo o que estava acontecendo. Ele tinha uma dificuldade em exercer de fato o comando da instituição. Esta foi uma das razões preponderantes alegadas para que ele desejasse sair”, conta.
Questionado sobre a possível interferência de assessores bancados pelo Palácio das Cerejeiras dentro do DAE, Monti alegou que não saberia avaliar o assunto. “Quem poderia dizer sobre isso é o Rafael, que estava dentro da autarquia. Ele nunca me transmitiu essa avaliação. Então não seria legítimo que fizesse avaliação nesse sentido”, pontua.
O médico pondera outras questões. “A respeito de como é a utilização da verba do FTE, já que o pano de fundo na verdade foi esse, uma série de temas relacionados a isso foi levantada”, observa. “E, na minha avaliação, não há irregularidade, ilicitude”, destaca.
Porém, Monti acredita que o conjunto acabou levando Ribeiro à exoneração. “Foi dado um cenário, que o próprio Rafael revelava, de dificuldade de comando interno. Estruturas públicas costumam acontecer isso mesmo. Na medida em que há um enfrentamento mais difícil, as pessoas, até para auto-proteção, se distanciam do dirigente e isso causa um enorme problema de gestão. Acho que esse fenômeno aconteceu por lá”, observa Monti.
“E falo isso como quem vê de longe, mas também pela minha experiência de gestão. Mas não sei se havia, pelo ponto de vista do prefeito, esse afastamento. Em vários momentos conversei com o Rodrigo sobre isso e ele sempre me dizia para contar com seu apoio”, destaca.
Futuro
Rever o modelo de funcionamento da autarquia, a estrutura interna e como funciona a questão funcional são os desafios que Monti elenca para o próximo presidente da autarquia, que deverá ser indicado pelo próprio PR.
“Para que se tenha um órgão mais robusto, essas são ações muito importantes”, destaca. Porém, ele ainda não quis adiantar quem seria o nome adequado para o serviço.