Prevista para acontecer em 2010, a otimização dos roteiros do transporte escolar deve sair somente no próximo ano letivo. Ontem, o Diário Oficial de Bauru (DOB) trouxe edital para a contratação da empresa que ficará responsável por efetuar o serviço.
Mas, pelo edital, a empresa vencedora irá oferecer software para o serviço, treinar uma equipe da Secretaria Municipal da Educação para operacionalizá-lo e oferecer manutenção constante pelo prazo de vigência do contrato. A dificuldade, portanto, será na definição das linhas e itinerários. Se a administração se limitar a aplicar os números existentes no software a ser adquirido com a contratação do serviço de rotas, a esperada otimização dos trajetos ficará prejudicada.
Para Renato Gragnani, secretário municipal da Administração, o objetivo da roteirização é tornar o serviço mais eficiente e poupar recursos dos cofres públicos. “A ideia é que a Secretaria Municipal de Educação possa, através desse sistema, otimizar as rotas e rever inclusive os gastos hoje destinados ao transporte de alunos da rede municipal e do Estado”, pontua.
Entretanto, conforme o edital, a empresa vencedora ficará responsável pela instalação do sistema, que deverá ocorrer 15 dias após a emissão da ordem de serviço pela Educação. Ela deverá disponibilizar um responsável técnico, que efetuará o cadastramento de todos os dados necessários, como veículos, rotas, horários, pontos, etc. Com essas informações a empresa terá 45 dias para montar as rotas no software.
Atualmente, sistema de transporte escolar de Bauru é composto por 66 veículos, que fazem o trabalho em quatro turnos e operam 18 rotas, para atender 4.900 alunos. O serviço é pago por quilômetro rodado e esse dado é verificado pelo sistema de GPS instalado nos veículos há cerca de um ano. “Hoje, o sistema de GPS em execução nos dá a rota atual percorrida por todos os ônibus e mede a quilometragem percorrida, que é pago posteriormente. Mas não tínhamos previsto a otimização desses trajetos. Na medida que entram e saem alunos nas escolas, é necessário obter esse assessoramento”, pondera Gragnani.
Ele avalia que exatamente pelo frequente entra e sai de alunos das escolas da rede, a otimização deve ser um trabalho cíclico. “O serviço tem que ser constante. E não pode ser feito pela mesma empresa que é responsável pelo transporte dos alunos, uma vez que ela recebe pelo valor percorrido. Deve ser controlado pela Educação, que por não possuir pessoal capacitado para isso, opta por contratar por licitação”, explica o secretário.
Execução
No entanto, o edital não traz especificações de como o serviço deve ser feito, nem bases de comparação para garantir a escolha das melhores rotas. “A empresa escolhida em relação a proposta mais vantajosa para o interesse público, pode ser a mesma empresa que opera atualmente o serviço de GPS. Se for esse caso, ela otimizará as rotas que já conhece e poderá fazer a inclusão e exclusão de alunos, conforme as matrículas para o próximo ano letivo”, avalia Renato.
“Se for outra, terá que instalar outro GPS ou pode contratar mão de obra para acompanhar, por meio de seus prestadores de serviço, as rotas do início ao final, em um veículo, por exemplo”, observa. Segundo ele, cabe à empresa, junto da secretaria de Educação, definir o melhor método.
O software não será adquirido definitivamente pela prefeitura e o contrato com a empresa será de 12 meses, renováveis para no máximo, 48 meses. Uma equipe da empresa e vai treinar servidores da Educação. E a própria secretaria vai fazer o acompanhamento do sistema. A empresa manterá alguém para dar suporte e atender qualquer chamada em até 24h, conforme explicita o edital.
“O trabalho começa no próximo ano letivo, com certeza. E é o que falta para o sistema seja eficiente e num ciclo contínuo de aperfeiçoamento. Só vamos conseguir fechar esse ciclo com a roteirização. A Educação não possui essa espertize. Pela contratação, e entendo que não terá custo alto pela pesquisa que fizemos não justifica um serviço caro”, destaca Renato.
Em abril deste ano, a Secretaria de Educação finalizou o cadastramento de alunos, incluindo os do Estado. Segundo a pasta, são 4.920 alunos transportados no calendário deste ano, sendo 3.999 de escolas estaduais e 921 da rede municipal. A quilometram total, com base nos roteiros aplicados até então pela Emdurb, ficou em 9.500 km/dia. São 18 rotas atuais, com 66 veículos, 70 monitores para alunos da rede tradicional e 60 para educação especial.
Na licitação realizada no ano passado, a administração voltou a contratar a empresa Brambilla Transportes, com o custo do Km passando de R$ 3,04 para R$ 3,98. Durante o exercício anterior, a despesa do serviço em Bauru foi de R$ 3,770 milhões. O governo estadual repassou R$ 2,898 milhões para esta finalidade.