Economia & Negócios

‘Expansão imobiliária leva mais 15 anos’

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 5 min

O mercado imobiliário deve permanecer em expansão por até 15 anos por conta do aumento da população e da renda dos brasileiros, o que passa a exigir mais moradias. A avaliação é do presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), João Crestana, que esteve ontem em Bauru para ministrar uma palestra sobre o futuro do setor. Na oportunidade, informou que a expectativa é construir 25 milhões de habitações, aproximadamente, número que está afinado com as projeções de crescimento da população. “Temos alguns estudos nacionais que apontaram tais números, sem esquecer que sete milhões deste total que será construído faz parte do déficit de moradia”, reitera.

O presidente do Secovi definiu este panorama positivo no mercado brasileiro como o reflexo das transformações apresentadas pela pirâmide etária do País. Segundo ele, o grande volume de cidadãos na faixa entre 18 e 35 anos aumenta a expectativa do setor para a construção de mais habitações, visto que tais idades são responsáveis pela instalação de novas residências.

“Entre 30% e 45% da população brasileira estão entre essas faixas. São exatamente as pessoas que estão montando as novas famílias. Aproveitando um momento em que a economia está estabilizada, esses brasileiros estão com condições de renda muito favoráveis. O Brasil tem uma janela extremamente favorável para o mercado imobiliário nos próximos 15 ou 20 anos”, avaliou Crestana.

Problemas

O presidente do sindicato aproveitou sua passagem por Bauru para minimizar as projeções negativas acerca da escassez de mão de obra qualificada e insumos para a construção civil, mas ponderou sobre o fornecimento de equipamentos para abastecer as obras.

“São os problemas bons que aparecem. Temos demanda, temos empresas capacitadas para construir, mas começa a faltar recursos de todos os tipos. Sobre a falta é mão de obra, este é um desafio que teremos que conviver e tentar formar profissionais capacitados”, frisou Crestana, ao sugerir como possível solução o incentivo a formações em profissionais da construção civil, desde pedreiros a engenheiros.

“Na questão dos materiais, como cimento, aço e azulejo, temos indústria nacional capaz de produzir e também podemos facilmente importar. Na verdade, não estou tão preocupado com isso”, completou o presidente do Secovi.

“Mas o setor de equipamentos está complicado. Às vezes chegamos a esperar três ou cinco meses para receber uma grua, máquinas de fundações ou tratores”, pontuou ao analisar que esta modalidade de indústria deve desenvolver-se nos próximos anos para atender a demanda do mercado.

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Espanha e EUA: maus exemplos

Na opinião de João Crestana, presidente do Secovi, o Brasil não corre o risco de cometer os erros da Espanha e Estados Unidos da América (EUA), que levaram seus setores imobiliários a enfrentar ‘bolhas’ estrutural e de crédito, respectivamente.

Ele explicou que os enpanhóis leram errado o desenvolvimento e viram 1 milhão de habitações a mais do que a sociedade poderia comprar. “Com isso, o país atualmente conta com um superávit de residências que freou o crescimento deste mercado”, contou.

No caso dos EUA, Crestana destacou o sistema bancário como principal causador da crise. “O sistema (bancário) é muito ruim e permissivo. Isso fez com que se concebessem créditos extremamente inadequados. Pessoas que iam comprar um imóvel de 100 mil dólares recebiam créditos de 130 mil dólares sendo que não conseguiria pagar nem os 100 mil”, revelou.

Crestana afirmou que o setor imobiliário brasileiro não corre tais riscos porque a análise do mercado e a expectativa de crescimento da população foram elaborados de acordo com a realidade do País e os bancos estão bem montados , com estruturas rígidas e uma administração forte para não permitir uma crise de crédito. “Com isso, o Brasil está longe de qualquer tipo de bolha”, completou.

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Crise no setor pode vir em virtude da escassez de recursos financeiros

O presidente do Secovi, João Crestana, apontou que a crise do setor imobiliário brasileiro pode surgir através da falta de recursos financeiros para subsidiar o desenvolvimento deste mercado. Apesar de desconsiderar os fatores internos do setor, como mão de obra, materiais e excesso de habitações, Crestana avalia os recursos atuais como limitados a servir o mercado por, no máximo, três anos.

“Hoje, os recursos usados são suficientes. Eles vem da poupança, que tem uma boa parte direcionada para o setor imobiliário, e do Fundo de Garantia (FGTS), que também geram um movimento legal na construção civil. Mas são limitados, devem nos servir para os próximos 2 ou 3 anos apenas”, afirmou.

De acordo com a análise de Crestana, o mercado imobiliário deve continuar em expansão dentro dos próximos 15 ou 20 anos, portanto, uma alternativa para aumentar as reservas financeiras destinadas à construção civil seria utilizar fundos de investimento de pensão ou de aposentadoria, “que possuem uma quantia superior a R$ 700 bilhões”, informou ao dizer que diversos países no mundo fazem uso dessas reservas de dinheiro para estimular o mercado imobiliário.

Investimentos

“Está na hora de trazer esses investimentos para financiar nossos empreendimentos. Além disso, poderíamos acionar as reservas técnicas de seguradoras e também contar com dinheiro estrangeiro. Os investidores estrangeiros querem vir para o Brasil porque estão ganhando pouco nas iniciativas existentes no país deles”, argumentou Crestana”.

Segundo ele, o setor precisa apenas demonstrar que é competente para lidar com tais investimentos de uma maneira segura e rentável para os investidores. O presidente do Secovi revelou que falta segurança política para conseguir atrair novos investimentos, especialmente no caso dos estrangeiros.

“O Brasil ainda carece de um pouco mais de instituições que proporcionem segurança política. O Ministério Público é uma instituição fantástica, mas ainda é muito novo, precisa evoluir mais um pouco. Esta inexistência cria um ambiente de insegurança, especialmente no mercado imobiliário, que é um investimento de longo prazo e complexo. Por isso precisamos exigir o cumprimento das leis”, concluiu Crestana.

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Nova diretoria regional toma posse

Com a presença do presidente do Secovi, João Crestana, tomou posse ontem a nova diretoria do regional da entidade, durante o Encontro do Mercado Imobiliário, no Salão Cristal do Quality Suítes Garden. Vão liderar a regional do Secovi pelos próximos anos Riad Elia Said (diretor regional), Fernando Pegorin (diretor de venda, locação e administração imobiliárias), Leilane Strongen (diretora de administradoras de condomínios e integração de síndicos), Halim Aidar (diretor de loteadoras e incorporadoras), Alexandre Mauad (diretor adjunto de administradoras de condomínios) e Aristides Ribeiro Neto (diretor adjunto de integração de síndicos), Érico Braga (diretor honorário), José Botelho de Figueiredo (diretor honorário), Renato Aiello (diretor honorário) e Orlando Lamônica Júnior (diretor honorário).

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