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Crise na TV Unesp chega à polícia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Depois de alcançar as esferas administrativa e jurídica (leia mais abaixo), a crise que se instalou na TV Digital da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – que ainda nem entrou no ar - chegou à polícia. Dois equipamentos importados desapareceram de dentro das dependências do prédio da emissora, situado no Jardim Contorno, e a direção do canal registrou boletim de ocorrência de furto para que o caso seja investigado pela Polícia Civil.

A queixa foi prestada em 28 de outubro deste ano. No mesmo dia, a TV também denunciou que funcionários que ocupavam cargos de confiança durante a gestão do professor Antônio Carlos de Jesus teriam apagado arquivos de computadores. O ‘boicote’ teria acontecido no dia 8 de outubro, quando eles foram demitidos pela atual diretora, Ana Sílvia Lopes Davi Médola, nomeada em caráter temporário pelo reitor da universidade, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, após a instauração de um processo administrativo disciplinar contra Jesus, que foi afastado.

O provável furto dos equipamentos, ambos da marca QLogic, foi descoberto pela consultoria em engenharia de telecomunicações contratada para avaliar e sugerir mudanças no projeto de implantação da emissora. Para que esse trabalho pudesse ser realizado, antes foi necessário efetuar um levantamento de todas as mercadorias adquiridas pela emissora desde o início de sua implantação, há quatro anos.

“Foi feita uma conferência e esses dois equipamentos não foram encontrados. Ainda estamos fazendo o levantamento de outros bens, que deve ser concluído em uma semana e, depois disso, provavelmente um procedimento interno de apuração de responsabilidades deverá ser aberto”, destaca o advogado Luiz Fernando Barcellos, procurador da assessoria jurídica da Reitoria da Unesp em Bauru e representante jurídico da direção da TV. Ele explicou que o prédio da emissora conta com vigia durante as 24 horas do dia e não soube explicar como os aparelhos podem ter sido retirados do prédio da TV sem que ninguém percebesse. “Por isso, registramos um boletim de ocorrência por furto e, paralelamente à apuração interna, correrá o inquérito policial”, acrescenta.

Questionados pela reportagem, o advogado e a assessoria de imprensa da reitoria da Unesp em São Paulo não souberam informar o valor e a utilidade dos aparelhos perdidos. A diretora pro-tempore da emissora, Ana Sílvia, também foi procurada por telefone, mas não retornou às ligações.

Arquivos apagados

Além de acionar a polícia para averiguar quem seria o responsável pelo desaparecimento dos equipamentos, a direção do canal também registrou boletim de ocorrência contra cinco funcionários de confiança de Antônio Carlos de Jesus. No dia em que foram demitidos pela nova diretora, eles teriam copiado arquivos que haviam sido salvos em 2008, portanto, antes de suas contratações, e posteriormente os apagado dos computadores. A ação teria sido presenciada por outros funcionários, que fizeram a denúncia à direção da TV. Paralelamente aos inquéritos policiais, continua correndo o processo administrativo disciplinar contra Jesus, diretor afastado desde setembro deste ano após ser responsabilizado pela quebra do aparelho Maestro, que possui a incumbência de ajustar o funcionamento da emissora para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). O processo deverá ser concluído entre dezembro deste ano e março de 2011.

Inconformado com os motivos apresentados pela reitoria para seu afastamento, o ex-diretor ingressou, em setembro passado, com um pedido de liminar para suspender o processo administrativo. Segundo a solicitação judicial, que teve a liminar negada em primeira instância (mas já com recurso), as justificativas apresentadas pela reitoria para o afastamento do professor não encontram respaldo no Estatuto dos Servidores Públicos do Estado de SP, documento legal que orientou a instauração do processo contra ele.

Ainda de acordo com o documento protocolado pelos advogados de Jesus, não houve justa causa para afastá-lo de suas funções porque ele teria seguido todos os protocolos exigidos e, inclusive, comunicado o dano causado no Maestro quatro dias antes do vencimento do seguro.

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TV não tem data para entrar no ar

Na edição de 4 de abril deste ano, o JC publicou, baseado em informações apuradas dentro da própria Universidade Estadual Paulista (Unesp), que a TV Unesp poderia entrar no ar entre março e abril de 2011. A diretora pro-tempore da emissora, professora Ana Sílvia Lopes Davi Médola, destaca, entretanto, que não há prazo definido para que o canal comece a operar.

Segundo o Ministério das Comunicações (MC), a TV terá, obrigatoriamente, que iniciar suas transmissões até o dia 22 de fevereiro de 2013, mas Ana Sílvia afirma que a intenção é começar a operar bem antes deste prazo.

Embora o projeto da TV exista desde 2006, o contrato de concessão da emissora só foi assinado junto ao MC em 23 de fevereiro deste ano. Apenas nesta data a TV Unesp passou a ter permissão para entrar no ar.

Mas, mesmo assim, a emissora contratou cerca de 60 funcionários - vinculados à Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), a partir de processo seletivo realizado em março do ano passado.

Obtida apenas para que o canal opere com sinal analógico, a concessão tem validade de 15 anos e se encerra em fevereiro de 2025. Para poder entrar com o pedido de concessão em sinal digital, a TV precisa estar em funcionamento.

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Equipamento Maestro não quebrou?

Toda a movimentação em torno da quebra do aparelho Maestro pode ser injustificada. Ninguém sabe – ou quer - dizer se algum dia o equipamento, de fato, esteve quebrado. Mas o que se sabe é que, hoje, ele está em plenas condições de funcionamento.

Como um laudo apontou que ele havia sido inutilizado durante o transporte até Bauru, em outubro de 2009, outro aparelho idêntico foi adquirido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao custo estimado de R$ 260,5 mil. Atualmente, ambos permanecem dentro do prédio da TV, sendo que a existência de apenas um deles seria suficiente para suprir as necessidades da emissora.

A suposta quebra do Maestro ocorreu quando o equipamento, importado dos Estados Unidos, teria sido transportado sem que os procedimentos exigidos pelo seguro fossem obedecidos. O processo administrativo disciplinar teria sido instaurado pela reitoria para justificar a compra de um novo aparelho, sem o qual a TV não poderia funcionar. Além de Jesus, também foi afastado um funcionário contratado pela Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), cujo nome não foi divulgado.

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Algumas perguntas sem respostas

Como equipamentos desapareceram de dentro da emissora?

Quais arquivos foram deletados quando funcionários foram demitidos?

O equipamento Maestro, que foi substituído por outro, realmente quebrou?

Quando a TV finalmente entrará no ar?

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