A terceira assembleia de credores do Grupo Frialto, realizada ontem pela manhã em Sinop (505 km ao norte de Cuiabá), foi suspensa a pedido dos bancos e transferida para o dia 16 de dezembro. A empresa não apresentou oficialmente na assembleia de ontem a proposta que foi discutida anteontem numa reunião com os representantes dos pecuaristas. Segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a assembleia foi suspensa sob protesto dos credores pecuaristas e trabalhadores. Mário Candia, presidente da Acrimat, diz que “os bancos não têm boi e uma hora a corda vai arrebentar”, numa alusão às dificuldades que o Frialto enfrentará para retomar suas atividades.
Candiz diz que a suspensão da assembleia foi uma grande decepção para os pecuaristas, mesmo sabendo que a proposta do Frialto era péssima para o produtor. “Isso demonstra que os bancos estão usando de pressão para conseguir novas vantagens”, diz ele. A Acrimat promete reagir “a mais uma manobra” e alerta que vai “tomar as medidas judiciais cabíveis para evitar que isso aconteça novamente”. Armando Biancardini, assessor jurídico da entidade, lembra que existe um prazo de 180 dias, após a promulgação do plano de recuperação judicial por parte da Justiça, para que haja uma definição do processo. O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, reconhece que as reuniões preliminares com o Frialto “não têm surtido efeito desejado”. Segundo ele, o combinado era que uma proposta seria apresentada e que os bancos iriam votar, mas isso não vem acontecendo. “O pecuarista está decepcionado com essa situação.”
Vacari afirmou que na reunião realizada anteontem em Sinop com os pecuaristas, o Frialto apresentou um plano “impossível de ser aceito”. A proposta era de pagamento em uma única parcela para o pecuarista com crédito até R$ 15 mil logo após a aprovação do plano.