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Álcool chega a R$ 1,79 e pode subir

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Com os consecutivos aumentos no preço do álcool nos últimos três meses, o inevitável aconteceu: a vantagem do etanol sobre a gasolina praticamente deixou de existir em Bauru para os proprietários de carros flex, que deverão começar a fazer contas para decidir qual combustível irão utilizar. Ontem, o valor do litro do álcool chegou a R$ 1,79 em vários postos da cidade, frente aos R$ 2,59 cobrados pelo litro da gasolina.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) explica que a alta, uma das maiores do ano, ocorreu em razão do baixo estoque das usinas às vésperas do início da entressafra da cana-de-açúcar, matéria-prima para a produção do álcool. Para as próximas semanas, a expectativa é de que o preço suba ainda mais.

Para concluir qual é a melhor escolha, o consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool. Em Bauru, o resultado deste cálculo chegou a 0,69, praticamente anulando a vantagem do álcool sobre a gasolina.

De acordo com Edivaldo Tuschi, empresário do ramo, a disparada do preço do álcool teve início há três meses, quando o combustível custava R$ 1,38. A alta de quase 30% no curto período teria ocorrido porque as distribuidoras reajustaram os preços de venda do produto aos comerciantes e o valor teve de ser repassado ao consumidor final.

“A demanda por álcool está muito grande e os estoques das usinas, bastante baixos. Eles (usineiros) aumentaram o preço antes do começo da entressafra para conter um pouco da demanda e fazer com que não falte combustível daqui em diante”, explica.

Como a partir do início da entressafra da cana-de-açúcar o produto deverá se tornar ainda mais escasso, a tendência é que os preços continuem aumentando até o final de março, quando uma nova safra se inicia. “No final da tarde de hoje (ontem), o preço de custo para os donos de postos de combustíveis, que era de R$ 1,43, chegou a R$ 1,48. Ainda não dá para dizer em que momento esse aumento será repassado”, observa. Mas, de acordo com o presidente do Sincopetro em Bauru, José Antônio Reghine, a alta não é uma exclusividade de Bauru. “Em várias cidades como Lins, São José do Rio Preto e Marília, o preço do álcool está muito mais alto. Esse reajuste vem ocorrendo de forma generalizada”, pontua.

Reajuste

Embora nem todos os postos tenham aderido aos novos preços, Reghine ressalta que, até o início da próxima semana, a maioria dos estabelecimentos já deve cobrar R$ 1,79 pelo litro do álcool. “O custo do álcool para os comerciantes chegou a R$ 1,40 e, conforme eles recebem o produto com custo mais alto, o preço ao consumidor é reajustado. E tanto os estabelecimentos bandeirados quanto os de bandeira branca estão pagando praticamente o mesmo preço”, comenta.

Mas, muitas vezes, quando há um aumento expressivo no preço do litro do álcool, alguns postos de combustíveis passam a oferecer um valor muito abaixo do cobrado em outros estabelecimentos. Não é raro observar em Bauru postos com filas de carros aguardando o abastecimento. Porém, o Sincopetro alerta os consumidores a se precaver antes de encher o tanque.

Uma das orientações é consultar a o site de Agência Nacional de Petróleo (www.anp.gov.br), que realiza levantamentos de preços semanais, e verificar a média praticada na cidade. Se o valor oferecido for R$ 0,20 a menos do que o da maioria dos postos da cidade, o melhor é redobrar a atenção.

“Uma outra medida que o consumidor pode adotar é, depois de abastecer, estar atento a quantos quilômetros por litro o veículo vai fazer e verificar se esta média está compatível com o que o desempenho que o carro costuma ter”, acrescenta Tuschi.

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‘Não há motivos para gasolina subir’

Embora a gasolina receba um percentual de 25% de álcool em sua composição, a expectativa é de que o preço do combustível não sofra alteração no mesmo ritmo da alta do álcool, segundo avaliação de Edivaldo Tuschi, empresário do ramo. “As distribuidoras ainda têm uma margem gorda de lucro. O álcool já chegou a R$ 2,00 e a gasolina estava bem mais barata do que está agora. Não há motivos para qualquer alta”, analisa.

Tuschi explica que a formação do preço da gasolina é diferenciada e, por isso, se paga tão mais caro por ela. Enquanto nela incidem 53% de impostos diretos, no álcool são apenas 20% de tributos. A gasolina brasileira, que custa o equivalente a US$ 1,50, é uma das mais caras do mundo.

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