Duartina – A Polícia Civil de Duartina (38 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito para apurar suposta negligência médica cometida pelo Hospital Santa Luzia no atendimento da estudante Danielly Messias de Oliveira, 20 anos, moradora de Lucianópolis. A jovem foi atendida na unidade por três vezes antes de ser transferida para o Hospital Estadual (HE) de Bauru com quadro de apendicite. Após dois dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Danielly morreu vítima de infecção generalizada. O Hospital Santa Luzia nega qualquer tipo de falha e informa que adotou todos os procedimentos necessários no atendimento à jovem.
De acordo com boletim de ocorrência (BO) de omissão de socorro registrado por familiares, na manhã do último dia 25, após apresentar dores abdominais e vômitos, Danielly foi levada ao hospital de Duartina. A médica que a atendeu teria pedido exame de sangue e diagnosticado quadro de infecção urinária, solicitando sua internação.
A jovem teve alta na tarde do dia 26 mas, como voltou a sentir dores abdominais intensas, inchaço no abdome e vômitos, retornou à unidade na madrugada do dia 27. Após ser medicada pelo médico de plantão, ficou novamente internada até a noite do dia 28.
Ainda segundo o BO, na madrugada do dia 30, Danielly procurou novamente o hospital reclamando de dores insuportáveis e inchaço no abdome e vomitando sangue. Após avaliação de médicos e com base nos resultados de exames de ultrassom e radiológico, que indicaram quadro de abdome agudo (apendicite), a jovem foi transferida para o Hospital Estadual (HE) de Bauru.
Por meio da assessoria de imprensa, o HE informou que a paciente chegou à unidade em estado grave e foi imediatamente transferida para a UTI, onde foi submetida à cirurgia. Contudo, segundo o hospital, a jovem não teve uma boa evolução e acabou morrendo na tarde de anteontem. O atestado de óbito indica choque séptico ou septicemia (infecção generalizada) como a causa da morte.
Familiares de Danielly acusam os profissionais do Hospital Santa Luzia de terem medicado a jovem como se ela tivesse uma infecção urinária. O delegado de Duartina, Antônio Augusto de Campos Lima, instaurou inquérito para apurar eventual crime de homicídio culposo (sem intenção de matar) por parte do hospital.
Segundo ele, funcionários da unidade e familiares da jovem serão ouvidos nas próximas semanas. O delegado também solicitou à família cópia do atestado de óbito da estudante e autorização para retirada de seus prontuários médicos junto ao Hospital Santa Luzia e Hospital Estadual.
Hospital nega negligência
O diretor-clínico e responsável técnico pelo Hospital Santa Luzia, Luis Alberto Contrera Bérgamo, informou que, antes de instaurar qualquer procedimento interno para apurar as circunstâncias em que a estudante Danielly Messias de Oliveira foi atendida precisa ter acesso ao seu atestado de óbito. “Eu não posso nem falar em causa mortis porque o (Hospital) Estadual não me passa nenhuma informação e eu ainda não tive acesso ao atestado de óbito com a família”, alega.
A assessoria de imprensa do HE disse que localizou uma dessas tentativas de contato, ocorrida na manhã de quinta-feira, mas que a médica que estava de plantão na UTI não pôde atender o diretor-clínico porque estava em procedimento médico no momento da ligação.
Com base na análise dos prontuários de atendimento e internação da paciente, Bérgamo declara não ter encontrado nenhum indício de falha nos procedimentos médicos de sua equipe de funcionários, considerada por ele “extremamente capacitada”. “Eu revisei tudo o que foi feito no hospital e não encontro, por enquanto, nenhum sinal de negligência e nem de omissão”, diz. Segundo o diretor, não se pode descartar, entre outras hipóteses, a de a jovem ter adquirido infecção hospitalar no HE.