Regional

Assombração

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

“Quando a lenda torna-se fato, imprima-se a lenda”. A célebre frase do clássico western “O Homem que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance), de 1968, cai como uma luva sobre histórias que acompanhará nesta reportagem. Não que se tratem de factoides manchetáveis. Longe disso, são lendas que povoam o imaginário regional, por meio de casos (ou melhor, “causos”, no melhor linguajar interiorano) que perduram - e até aumentam - entre diferentes gerações.

Seja por quem diz ter ouvido falar sobre uma curva mal assombrada em tal estrada ou por gente que jura ter sentido calafrios ao se deparar com algo que, definitivamente, não pertence ao nosso mundo, é difícil achar quem não conheça algum “causo” (sic) de arrepiar.

A região de Bauru, como toda localidade típica do interior, está recheada deles.

Além das passagens que pertencem ao folclore, como o “Unhudo da Pedra Branca, em Mineiros do Tietê, ou o próprio Saci, em Botucatu (que justificou até mesmo a criação de uma associação de caçadores do ser na cidade), também existem outros fatos modernos, as chamadas lendas urbanas.

Entre as inúmeras histórias locais, há quem sinta frio na barriga até hoje ao lembrar de uma certa “noiva fantasma” observada há quase dez anos no meio da penumbra de uma estrada deserta e também quem garanta ter visto uma pessoa quase transparente, um fantasma, em pleno rush do Centro de Bauru.

Para os céticos, no entanto, sempre há uma explicação. Mera invenção ou até mesmo criatividade involuntária da mente humana, para alguns especialistas, muita gente ainda bate o pé e decreta: “só acredito vendo”.

Mas, e quando o ver para crer acontece, o que fazer? Há quem diga que não devemos temer seres “de outro mundo”.

Para o espiritualista Richard Simonetti, eventuais espíritos que nos aparecem não representam mal. “O ideal seria superar o impulso de gritar a plenos pulmões ou fugir com asas nos pés e conversar com o espírito que nos procura. Ele não representa nenhuma ameaça”, atesta. “O problema é o medo”, atesta ele, autor de livros sobre a doutrina espírita.

A opinião é dividida por leigos que também garantem conviver de forma tranquila com o sobrenatural. “Sinto muitas presenças. Quando acontece, peço para ir embora e faço uma oração”, simplifica a jornalista Rosane Coutinho Bender, que, de alguns anos para cá, diz se deparar com sinais visuais, auditivos ou sonoros de seres, literalmente, de outro mundo.

Verdade, invenção, imaginação involuntária, quem vai saber? O fato é que as lendas, diria o finado diretor de cinema John Ford, autor da frase que abre o texto, está mais do que correto. Na ausência de respostas concretas, o imaginário é bem mais interessante. Que imprima-se a lenda.

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