Tribuna do Leitor

Enchentes


| Tempo de leitura: 3 min

Esta enchente que ocorreu na av. Nações Unidas foi trágica, tanto pela vida ceifada como pelos prejuízos materiais causados. Após o fato, muitos missivistas, com razão indignados, começam a descer a lenha no prefeito e demais políticos. Vamos com calma. Os problemas ocasionados hoje, pelas chuvas, não só na avenida citada, mas também na Duque, Alfredo Maia, Nuno de Assis, Guadalajara, Rodrigues Alves e outros pontos são frutos de muitos erros ocorridos no passado, ocasionados por pessoas que comandavam a cidade em outras eras.

Estes problemas, imagino, são o subdimensiona mento das canalizações dos córregos enterrados entre casas; a ocupação imobiliária desenfreada na zona sul, criando diariamente novas áreas de concreto e asfalto, direcionando ainda mais águas para as partes baixas da cidade e, além disso, uma chuva com grande volume de precipitação d’agua. Se toda aquela chuva caísse em uma área de pastagem ou descampado, ainda assim haveria inundação dos córregos. Tendo ocorrido no centro de uma cidade altamente populosa, os seus danos foram potencializados.

Após isso posto, afirmo que a culpa não é do atual prefeito. Não tenho licença para defender ninguém e nem sequer voto em Bauru. Com mais construções se iniciando a cada dia, percebo que o problema irá se agravar ainda muito mais nos próximos anos, com aumento no grau de calamidade nos locais citados acima, e ainda a inclusão de novos pontos de alagamento na cidade (Parque das Nações, Vila Dutra, Industrial, Avenida Cruzeiro do Sul, etc...).

Podemos minimizar isso, pedindo que ninguém jogue lixo nas ruas. Que as pessoas que depositam o lixo doméstico nas lixeiras tenham o cuidado de evitar que animais da rua rasguem os sacos com lixo (usando lixeiras com tampa, erguendo a altura das lixeiras e tomando outras medidas que dificultem o acesso dos animais ao lixo).

E aos motoristas, ao perceberem a aproximação da chuva (visível de longe), se afastem dos pontos críticos, levando os seus automóveis para locais altos (Estoril, PVA, Falcão e outros), deixando o centro da cidade livre para os ônibus circular (que não podem mudar o seu itinerário), veículos de apoios (viaturas do Samu, Bombeiros, PM, Ambulâncias, etc...). Não custa aumentarmos o nosso percurso em alguns quilômetros, saindo do meio da encrenca. Dos carros danificados na avenida Nações Unidas, muito poucos estavam estacionados ali. A maioria transitava pela avenida de forma espontânea, sendo que todos os motoristas de Bauru sabem que o local é fonte constante de alagamentos. Então, por que não saíram por uma rua lateral e procuraram um ponto mais elevado? Desatenção ou excesso de confiança?

O que percebo nestas horas é que motoristas que não precisam estar nos locais de inundação fazem questão de passar por eles, simplesmente para depois poderem comentar “in loco” sobre o caos. Querem ver os estragos causados e viverem a emoção do momento. Não percebem que estão atrapalhando aos outros e correndo sérios riscos de serem as próximas vítimas.

Então enfatizo: em caso de precipitação, saia das avenidas e pontos críticos. Procure uma rua lateral (para não atrapalhar o trânsito) em local elevado. Encoste em uma loja de conveniência e aguarde a chuva passar para retornar ao tráfego. Estas medidas podem salvar a sua vida e o seu patrimônio.

Paulo Sérgio Marteline - Pederneiras

Comentários

Comentários