Tribuna do Leitor

Chuvas: gotas de água e não mar de lágrimas....


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Foi-se o tempo em que se podia alegremente aliviar o calor dos verões chutando latas na enxurrada. A minha paixão por tempestades somou-se à minha lista de prazeres culposos já que não me é mais possivel admirar as gotas de chuva com seu cheiro delicioso sem pensar na dor do próximo ou rezar para que esse próximo não seja eu mesma ...

Depois de 33 anos de existência, pela primeira vez nossa escola de ballet teve um evento adiado em função dos estragos causados pelas chuvas no acesso pela av. Nações Unidas e na infraestrutura do Teatro Municipal. Motivo de Força Maior: a força das águas, turbinadas pela falta de planejamento antiga - criar um centro cultural em uma área de risco notório e sabido foi realmente um risco assumido - pelo excesso do nosso lisinho asfalto tão pleiteado por todos e cimentos e pisos frios por toda a cidade, que não deixam a terra matar sua sede de chuva, fazendo com que ela escorra violentamente em busca de seu leito natural, pela nossa culpa de insistir nos confortos do progresso que acumulam gases e aquecem a atmosfera, enfim, culpa de todos nós, minha também.

Nós cumprimos com a nossa responsabilidade de primar pela segurança de nossos alunos ao adiar o evento. Lidar com as frustrações e prejuízos financeiros nesse momento me parecem um preço baixo a ser pago por essa segurança e isso é responsabilidade.

O Centro Cultural não abriga apenas o teatro com eventos que podem ser adiados, mas conta com uma secretária com seus funcionários, divisão de ensino com alunos, biblioteca, documentos, expostos diariamente ao risco de uma tragédia.

Sabemos que a nossa população, mesmo consciente de nossos verões, não recebe treinamento sistemático para situações emergenciais, ficando expostas às reações naturais - que em alguns casos inclui o pânico - nesses eventos.

A prefeitura, herdeira dos problemas antigos, corre atrás do prejuízo e trabalha rápido. Mas as dificuldades de solucionar o problema são bem maiores do que as de se reparar os danos até a proxima tempestade. Chuvas deveriam ser gotas de água abençoadas que trazem fecundidade ao solo e aliviam o sofrimento do calor - e não causadoras de um Mar de Lágrimas, como temos visto todos os anos

Meus profundos sentimentos a todas as vítimas dessa tragédia que se repete ano a ano. Eu proponho a criação de um movimento: "Chuva: Gotas de Água e não Mar de Lágrimas", onde as pessoas possam sugerir ações - uma vez que levantar as acusações apenas é algo fácil - apoiar as ações da prefeitura, da defesa civil e de todos aqueles que zelam por nós e que sozinhos não podem solucionar os problemas.

Márcia Correa Sier - Nuriah

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