Em 1977 minha mãe precisou submeter-se a séria cirurgia abdominal, para a retirada de um tumor maligno. Não obstante os bons prognósticos de seu médico-cirurgião, seu médico clínico me chamou particularmente. Informava que minha mãe teria uma vida normal por cinco anos. No entanto, após esse tempo, mesmo com todos os recursos da ciência, provavelmente a doença retornaria em fase terminal.
O clínico tinha razão. Em 1982, após cinco anos bem vividos junto dos familiares, iniciava-se um processo de acompanhamento em direção ao desencarne. Eu esperava pacientemente, acompanhando-a, procurando minimizar seus desconfortos. Não tinha dores. Mas de vez em quando reclamava que os medicamentos não estavam fazendo efeito. Nada mais havia o que fazer senão minimizar seus medos e suas angústias. Não obstante todo o carinho que nós, familiares, estávamos prestando, faltava alguma coisa. Foi quando tive a ideia de solicitar ao seu médico - dr. Márcio Tolentino - de Bauru, que a visitasse periodicamente. A partir daí, uma ou mais vezes por semana, esse abençoado médico visitava minha mãe. E a cada visita renovavam-se suas esperanças e ela passava alguns dias bem, embora com câncer em fase terminal. Lembro-me com emoção das visitas do dr. Márcio em pleno domingo à tarde. Quando ele entrava na casa de minha mãe, suas es-peranças se renovavam. E esse ritual maravilhoso se prolongou até a sua partida. Nunca consegui pagar qualquer dessas consultas a esse generoso e abençoado médico.
Mas a ele devo o alívio e a serenidade que antecederam o desencarne de minha mãe. Um verdadeiro apóstolo do Divino na Terra. Deus o abençoe sempre. Os médicos são verdadeiros representantes da misericórdia divina na terra. Bem aventurados os que levam a sério a sua profissão. Bem aventurados os que se revestem da missão divina que Deus lhes outorga e espalham alívio e esperança aos seus pacientes.
O autor, Sidney Francez Fernandes, é colaborador de Opinião