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‘Vai quem qué’ ou quem sabe pedalar?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Domingo, 8h30 da manhã. Lá estava eu em frente ao Aeroclube de Bauru acompanhando um grupo de ciclistas que, todo fim de semana, realiza longos percursos em estradas de terra da região. Entretanto, essa reportagem somente ganha outros contornos relembrando anos atrás.

Criado na “geração videogame”, este repórter que vos escreve e iria acompanhar ciclistas, simplesmente nunca aprendeu a andar de bicicleta. E quando digo não saber andar, é realmente isso que quero dizer. Não é que ando mal. Simplesmente não consigo me equilibrar sobre o ecológico e saudável veículo de duas rodas.

E lá estava eu em meio aos cerca de 30 ciclistas do grupo “Vai quem qué”, que há 19 anos difunde a prática esportiva do ciclismo para diferentes idades.

Logo que cheguei, todos já vieram me perguntando: “e aí, vai pedalar com a gente?”. Na hora, lembrei das velhas desculpas de infância - “ah, minha bicicleta quebrou” ou “tenho que estudar para a prova do mês que vem” - e rapidamente pensei em soltar uma delas, porém, resolvi ser sincero e revelei meu trauma aos entrevistados.

“Pedalar é igual fé: quanto mais você pratica, mais ela aumenta”, logo disparou Carlos Afonso, 66, que pedala com o grupo há 12 anos e que pareceu disposto a me convencer aprender.

Grupo unido

O fundador do “Vai quem qué”, João Aldo Pasciello, conhecido como Foguinho, 72 anos, ainda me explicou um pouco mais sobre o grupo. As atividades tiveram início de forma tímida em 1991 e hoje já conseguiram um grande número de adeptos. “Nos reunimos e decidimos pedalar. Éramos apenas quatro pessoas. Hoje, estamos com um total de 45, sendo que, em cada passeio a média é de 30 ciclistas”.

Ao passo que eu sequer consigo pedalar um metro, Foguinho explica que as trilhas que o grupo fazem têm o percurso mínimo de 40 quilômetros. “Não pedalamos menos que isso. Hoje (ontem), iremos até Bezerro. O percurso total é de 44 quilômetros”.

Foguinho ainda tem um outro importante motivo para estimular a prática do ciclismo: a saúde. O fundador do “Vai quem qué” explica que “aumenta bastante a qualidade de vida e a disposição. O condicionamento físico que o pessoal tem é impressionante. Você nota como é importante para se manter saudável”.

E, exatamente por isso, o grupo se preocupa em manter uma imagem. Foguinho conta que já excluiu integrantes pelo fato de práticas que não convergiam com o que é passado pelo grupo. “Já cortei gente que fumava e bebia. A pessoa chegava nas cidades que íamos e acendia um cigarro. Não é isso que queremos estimular, e sim totalmente o contrário”.

Apesar da minha falta – lê-se aqui “inexistente” – prática, pelo menos eu estava enquadrado na idade dos praticantes. Não que isso seja um requisito muito especial, pois, a faixa etária do grupo é extensa, com participantes entre 18 e 78 anos.

Disposição

Ao perceber a disposição do pessoal, eu até cogitei a possibilidade de um dia aprender e participar do grupo, entretanto, o fundador do grupo, Foguinho, disse que é necessário bastante preparo. “Toda pessoa que quiser pode vir, mas eu faço uma entrevista antes para saber se ela tem condições. Ela precisa estar preparada para aguentar o percurso”, explica.

Um dos que passaram por essa entrevista foi Rafael Ponce. O jovem de 21 anos fazia sua “iniciação” e até me incentivou a fazer parte. “Bom, eu vim mais pela parte física mesmo, mas, é importante a integração também. É gostoso você ver gente de todas as gerações aqui e, ao mesmo tempo, você pensa na sua saúde. Vamos ver se eu aguento acompanhar essa galera”, conclui.

Enquanto o pessoal iniciava o percurso, eu encerrava minha reportagem. Entretanto, a disposição do “Vai quem qué” até me fez pensar que nunca é tarde para aprender. Quem sabe aproveito esse fim de ano e coloco na minha lista de promessas para 2011. Quem sabe, não é mesmo?

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‘Não estou sozinho nessa situação’

Já fui chamado de muitos nomes por não saber andar de bicicleta e o mais engraçado é a cara de incredulidade das pessoas. Porém, o que elas não sabem é que não estou sozinho nessa. Em uma comunidade de um site de relacionamentos denominada “Eu não sei andar de bicicleta” há 9.260 participantes, dos quais eu, obviamente, faço parte.

E, por ironia do destino, as bicicletas parecem me perseguir. No dia 10 de julho, fiz uma reportagem sobre os obstáculos que as bikes enfrentam em Bauru.

Na ocasião, o cardiologista André Saab afirmou que pedalar traz benefícios como a diminuição de peso, melhoras na pressão sanguínea, redução do colesterol, estabilização do nível de glicemia e aumento significativo da capacidade física.

Entretanto, o cardiologista alertou que é necessário um exame clínico cardiológico completo para evitar riscos desnecessários. “Algumas pessoas já possuem gordura nas artérias ou até mesmo uma cardiopatia congênita, de nascença, e não sabem que tem esses problemas. Desse modo, quando elas se submetem a um exercício físico repentino, essas doenças podem se manifestar”, adverte.

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