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Serpentário: 35 anos de amizade

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Cerveja gelada, comida no capricho e um bom bate-papo. Há 35 anos, a receita de sucesso se repete entre os amigos do Serpentário. A ideia, que nasceu desprentenciosamente entre Raduan Trabulsi, Flávio de Angelis, Nabi Zugaibe e Hélio Vanini, acabou crescendo e o grupo de serpentes sem veneno, como brincam, se mantém unido há três décadas e meia.

Ontem, no Bauru Tênis Clube (BTC), sede oficial do Serpentário há anos, os amigos se reuniram para mais uma rodada de cerveja gelada, comida e muita conversa. Uma amizade que, de acordo com Vanini, é “imorredora”.

Todos os domingos, faça chuva ou faça sol, o Serpentário está reunido. “No início, cada um trazia alguma coisa, o papo ia rolando e os amigos começaram a vir. Inicialmente éramos chamados de ‘grupinho’, mas o Carlos Horta nos batizou de Serpentário”, conta Raduan. “Mas nesse nosso serpentário as cobras não têm veneno”, faz questão de destacar.

Os encontros chegaram a reunir mais de 50 pessoas, que contribuíam financeiramente para não faltar comida e bebida nas rodas de conversa. Quando chegava o final do ano e havia dinheiro em caixa, o grupo revertia em doações para instituições de caridade. Isso sem falar nas festas de aniversário. Os aniversariantes do mês fazem uma reunião festiva e não costumam pedir presentes, e sim doações para entidades.

Esporte

Além do dia a dia de Bauru, as conversas do Serpentário eram focadas também em esportes. Mas o papo não era focado somente em futebol. Muita gente ligada ao basquete bauruense fazia parte do grupo. Polo aquático e tênis também davam o tom da conversa.

“Antes, nós praticávamos esses esportes e nos reuníamos para conversar sobre os jogos. Depois, fomos perdendo o vigor e a conversa começou a ficar mais nas lembranças das disputas, das jogadas”, conta o ex-prefeito e ex-deputado federal Tidei de Lima, que era adepto do basquete.

Além de políticos, o Serpentário tem entre seus membros advogados, promotores, desembargador e empresários. A maioria faz parte do Conselho do BTC e muitos já presidiram o clube. César Gobbi, o Gobbinho, conta que até secretário estadual já passou pelo Serpentário. “Uma vez, o Haroldo Segalla trouxe o Luiz Antônio Marrey, secretário estadual da Justiça para conversar aqui”, se diverte.

Durante anos, o grupo nomeou uma comissão de três membros que eram responsáveis por deixar tudo pronto no domingo, antes do pessoal começar a chegar. Atualmente, a organização fica por conta de José Ribeiro e de Caçara. Hélio Vanini, um dos fundadores do Serpentário, conta que o segredo do grupo são os laços entre os amigos.

“É uma amizade ‘imorredora’. Aqui, temos amigos leais, muita alegria. Quando começamos a nos reunir aqui no BTC, aquelas árvores eram mudinhas”, conta, apontando grandes jaqueiras.

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O início e o futuro

O desembargador Paulo Travain lembra do início dos encontros do grupo que fundou o Serpentário. “O grupo tem como força a amizade. Começamos a nos encontrar em barzinhos, no BAC, Automóvel Clube, e quando o BTC de campo ficou viável, viemos e pegamos esse cantinho para nós”, diz.

“Ninguém esperava que após tantos anos a gente continuaria se reunindo. Eu passava a semana pensando em vir conversar com os amigos. Aqui, todos são iguais. Independentemente de classe, profissão, todos são amigos”, acrescenta.

Milton Simão revela que tem 15 anos de Serpentário. “Estar aqui, com tanta gente amiga, para jogar conversa fora, é muito bom. Só não venho quando estou em viagem. E quando não apareço, me sinto até mal. Faz muita falta”, conta.

Orgulhoso dos 35 anos de tradição, Raduan Trabulsi pensa no futuro do Serpentário. “Quando a gente começou com os encontros, não esperava que iríamos conseguir manter a tradição por tanto tempo. Mas agora, quero que meus netos façam parte”, destaca.

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