Internacional

WikiLeaks faz estragos à política dos EUA


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Roma - A divulgação gradual dos 250 mil documentos secretos do governo norte-americano pelo site WikiLeaks continua a fazer estragos para a imagem dos Estados Unidos perante seus parceiros políticos e econômicos no mundo. Vários países reagiram com irritação aos vazamentos, entre eles França, Itália, Turquia, Reino Unido, Rússia, Líbia, Afeganistão e China.

No caso da Itália, documentos apontaram que o presidente do governo italiano, Silvio Berlusconi, foi beneficiado por acordos energéticos assinados por seu país com a Rússia, ponto que foi veementemente negado pelo político.

Ontem, Berlusconi jurou “por seus filhos e netos” que não recebeu “um só dólar” e que sempre trabalhou “pelo interesse da Itália”, em um discurso durante comício de seu partido, PDL (Povo da Liberdade), em Roma.

Berlusconi se referia aos vazamentos do WikiLeaks que revelavam que o embaixador da Geórgia em Roma disse aos altos funcionários americanos que o governo de seu país suspeitava que o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, tinha prometido percentual dos lucros dos gasodutos construídos pela russa Gazprom junto com a italiana Eni.

O ministro de Exteriores italiano, Franco Frattini, ontem durante uma entrevista em um programa de televisão negou a “dependência da Rússia” em matéria energética como apontavam diplomatas americanos em vazamentos do Wikileaks.

Em outro memorando divulgado pelo site WikiLeaks, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, diz que a Arábia Saudita é origem da maior parte do dinheiro que financia grupos terroristas no Oriente Médio e no Paquistão. A questão é que o regime de Riad é um importante aliado dos EUA na região.

O documento foi assinado em dezembro de 2009 por Hillary e enviado às embaixadas americanas em Riad, Abu Dhabi, Al Kuait, Islamabad e Doha. “Os doadores na Arábia Saudita constituem a fonte mais significativa de fundos para grupos terroristas a nível mundial’’, revela.

Segundo o texto, outros países aliados dos EUA no Oriente Médio também permitem o financiamento de grupos extremistas. Entre eles, os Emirados Árabes Unidos, chamado de “um buraco estratégico’’ que pode ser explorado pelos terroristas, o Qatar, “o pior da região’’ na luta antiterrorista, e o Kuait, visto como “um ponto-chave de trânsito’’.

O memorando expõe a preocupação dos EUA em impedir que grupos extremistas recebam financiamento.

Washington questiona o fluxo contínuo de recursos financeiros a que têm acesso grupos terroristas, o que estaria solapando os planos do governo Obama de estabilização do Afeganistão.

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Inteligência dos EUA está em risco

Washington - Os EUA devem começar em breve a remover e remanejar pessoal diplomático, militar e de inteligência que perderam credibilidade ou ficaram em risco com a divulgação de milhares de despachos sigilosos pelo site WikiLeaks. Agentes de inteligência e pessoal militar também deverão ser deslocados, segundo autoridades americanas afirmaram ontem ao site “Daily Beast’’.

Um candidato forte ao remanejamento seria o embaixador americano na Líbia, Gene Cretz, que escreveu a Washington sobre as relações estranhas do ditador Muammar Gaddafi com sua enfermeira ucraniana.

“Vamos ter de retirar alguns de nossos melhores funcionários porque se atreveram a relatar a verdade sobre os países nos quais trabalham’’, afirmou um alto membro dos serviços de segurança americanas.

Outra ação - esta no mínimo tardia e inócua - dos EUA aos vazamentos foi a ordem dada na última sexta a centenas de milhares de funcionários federais e terceirizados do governo de que não leiam os documentos sigilosos vazados.

Em apoio aos EUA, a Austrália anunciou ontem que irá colaborar com os EUA para levar à Justiça o fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Na sexta-feira, o chanceler da Austrália, Kevin Rudd, informou que foi aberta uma investigação contra Assange e não descartou suspender seu passaporte.

Assange é procurado pela polícia sueca por acusação de estupro e agressão sexual. Na Austrália, a investigação é para verificar se a publicação dos documentos quebra alguma lei criminal australiana.

Para Mark Stephens, um dos advogados de Assange, essa “perseguição’’ tem “motivações políticas’’. À rede britânica BBC Stephens disse ainda temer que seu cliente seja deportado para os EUA, caso preso.

Como precaução no caso de as autoridades restringirem suas atividades, Assange colocou na Internet um arquivo criptografado que diz conter informações sobre a companhia petrolífera britânica BP e o centro de detenção de Guantánamo. Um desses documentos, o chamado “insurance.aes256'’, já foi baixado por milhares de pessoas.

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