Tribuna do Leitor

PARABÉNS PREFEITO (de Jundiaí)


| Tempo de leitura: 3 min

O Jornal da Cidade de segunda-feira (29), em manchete de primeira página, informa da existência de “movimento [que] luta para retirar as sacolas plásticas dos mercados”. Tal movimento, liderado pela Associação Paulista de Supermercados, deverá chegar na província em fevereiro próximo. O prefeito Rodrigo, estudando o assunto, dado o seu completo envolvimento sobre um dos produtos mais poluidor da natureza - cátedra para a qual dedicou parte de sua vida - já que sacos plásticos são considerados o “câncer do século passado”, carimbou de “polêmico” o assunto que, em outras plagas - Jundiaí por exemplo-, já é consenso nos consumidores que aprovam a ideia e mudam seus hábitos. “Se for imposto por meio de lei,diz o prefeito bauruense, esbarraria em impedimentos de Justiça e não teríamos um bom resultado”, disse ele. Acha também que “é possível a prefeitura atuar como intermediadora dessa iniciativa, se ela ocorrer através de um acordo”. E diz mais o prefeito da província: “A população não compra saco de lixo. A sacolinha, tradicionalmente, já tem essa função e se ela deixar de ser distribuída nos supermercados fatalmente o consumidor vai ter de pôr a mão no bolso”. Balela, prefeito. É preciso disposição política para liderar um movimento que valeria realmente a pena se todos os estabelecimentos do município entrassem na campanha.

O prefeito de Jundiaí, Miguel Haddad, afirma que o governo municipal tem essa intenção e já começou a conversar com as padarias, por exemplo, para ampliar o projeto que deu certo na sua cidade. Disse mais o prefeito de Jundiaí: “Além de preparar a população para o fim da distribuição gratuita de sacolinhas, também foi necessário fazer o treinamento de funcionários, especialmente das pessoas que ficam nos caixas. Mas esse é um primeiro passo, temos uma longa caminhada pela frente”.

Na cidade de Jundiaí, 20 milhões de sacolas plásticas deixaram de ir para o aterro sanitário no período de um mês de campanha. Para produzir tais sacolinhas plásticas, são consumidos petróleo ou gás natural, não renováveis. Além disso, o descarte incorreto no ambiente pela população provoca aumento da poluição e o entupimento de bueiros, e que leva a enchentes.

Numa compra de supermercado, não é meter “a mão no bolso” do consumidor, quando esse mesmo consumidor se dispor ao desembolso de R$.0,19 por saco plástico biodegradável, feito de milho. “O benefício desse produto é que ajuda a balancear o ciclo de carbono por ter em sua composição matéria-prima de fonte renovável [o amido de milho]”, diz a fabricante do produto, complementando que essas sacolas também são mais apropriadas para colocar o lixo orgânico, pois facilita a decomposição dele em vez de funcionar como uma “cápsula protetora”. É conscientização que se espera do consumidor. É a mudança de hábito que certamente prevalecerá em futuro breve. Não tem outro jeito. Chegamos no fundo do poço.

Que a “polêmica” seja colocada no discurso dos que estão abertos a tentativas de resolver um problema tão grave para a humanidade.

Sem oba-oba demagógico, sem “paz armada”, mas com objetividade dos que se dizem defensores da qualidade de vida do povo, do clima, da água, do esgoto, do ar, enfim, de tudo que possa vir beneficiar o quase condenado planeta. “O primeiro passo foi dado, temos uma longa caminhada pela frente” afirmou o prefeito de Jundiaí. Que essa frase seja o lema adequado ao referido movimento.

Nicanor Amaro da Silva Neto

Comentários

Comentários