Regional

Polícia Civil prende os dois acusados de linchamento na cidade de Marília

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Marília – Na madrugada de ontem, policiais civis de Marília (100 quilômetros de Bauru) cumpriram dois mandados de prisão temporária e detiveram o eletricista Murilo Ângelo Junior Lemes de Oliveira e o servente de pedreiro Paulo Ricardo Aparecido Costa, ambos de 21 anos, acusados por testemunhas de terem participado do linchamento de Cirso Fernandes Guilherme, 47 anos. O crime, ocorrido na semana passada, teria sido motivado por desejo de vingança, já que moradores do bairro Santa Antonieta atribuem a autoria da morte de uma menina de 14 anos, moradora do local, à vítima.

Uma terceira pessoa, também reconhecida por testemunhas como um dos agressores de Cirso, teve sua prisão temporária decretada, mas está foragida. As prisões, por 30 dias, poderão ser prorrogadas por igual período. Segundo a polícia, pelo menos seis indivíduos teriam participado do linchamento. “Nós estamos fazendo a identificação e, a partir daí, vamos representar também pela prisão temporária dos outros”, declara o delegado Aelinton Roberto de Souza, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade.

O delegado conta que, segundo as investigações, Murilo seria o autor das facadas que acertaram a vítima. A arma utilizada no crime foi apreendida. Em depoimento, ele preferiu não se manifestar. Já Paulo, que também está preso temporariamente, nega ter presenciado ou participado de qualquer agressão a Cirso. Até o fechamento desta edição, a Justiça de Marília não havia expedido novos mandados de prisão contra envolvidos no caso.

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Justiça com as próprias mãos

Cirso Fernandes Guilherme morreu na madrugada do último dia 2, após ser linchado e ficar dois dias internado no Hospital das Clínicas (HC) de Marília. Moradores do bairro Santa Antonieta, onde ele morava, o “julgaram” e “condenaram” pela morte de Thaís Alves Costa, 14 anos, encontrada morta no córrego Ribeirão dos Índios no dia 29 de novembro, após 11 dias desaparecida.

O homem foi violentamente espancado por populares com pedaços de paus e telhas. A vítima também teve a casa e o bar onde trabalhava incendiados. Os moradores do bairro também tentaram atear fogo na casa da mãe e da irmã de Cirso. Segundo o delegado titular da DIG, Aelinton Roberto de Souza, não existem indícios que liguem a vítima à morte de Thaís.

“Eu ainda estou no aguardo do laudo do IML, do exame necroscópico, mas o legista, informalmente, me disse que não há lesão e, agora, ele relata que nem mesmo há sinal de violência que tipifique externamente a ocorrência de violência sexual”, diz. “Nós trabalhamos com a forte hipótese da menina ter passado mal porque ela era epilética, estava sem medicação, dela ter caído no córrego e ter sido levada pelas águas”.

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