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Dr. Automóvel: Recebendo um carro antigo

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Lembram-se do Chevette antigo que achamos em S. Paulo para coleção, que mencionei aqui há um tempo atrás? Pois bem, ele chegou. Fui buscá-lo na Capital na semana passada, na casa de meu sócio. Antes de trazê-lo, pedi que fosse feita uma revisão completa, troca de óleo e filtros, regulagem de freios, carburador, etc.. Afinal, este carro tem história.

Pertenceu a uma senhora idosa por quase 20 anos, que o comprou zero km em 1991 e rodou esse tempo todo apenas 24.500 km. O que dá uma média de mais ou menos 100 km por mês (quase o que eu rodo por dia em média...). Sua antiga dona nunca havia pegado estrada com ele e, muito provavelmente, a quinta marcha ainda era virgem. É claro que ele sempre foi muito bem cuidado e está impecável internamente. Bancos, tapeçaria, painel, laterais de portas, tudo novinho como zero. Motor, câmbio, transmissão, é tudo novo, recém amaciado com pouco mais de 20.000 km. Como seria eu quem inauguraria sua experiência estradeira, procurei me garantir. E o bichinho correspondeu sem problema algum na viagem e a fez com média de 15 km/l...

Onde quero chegar é que não podemos nos enganar e achar que tudo são flores. Claro que este carro é uma mosca branca de olho azul, cada vez mais difícil de ser encontrado nestas condições. Está melhor do que qualquer outro que já vi que nunca passou por uma restauração e ele não precisará de uma por enquanto, mas o tempo é implacável.

Assim como nós, a deterioração vem com o tempo e não com o uso. Os pneus, por exemplo, eram os originais Goodyear Grand Prix S 70, excelentes. Com apenas 24.000 km rodados, ainda tinham mais de meia vida pela frente. Só que, com quase 20 anos de idade, a borracha já começa a deteriorar e pode esfarelar, prejudicando a segurança. Imagine fazer uma curva e o pneu dianteiro se despedaçar. Por isso, vim com cuidado e assim que cheguei, troquei-os por um jogo novo, para garantir. Como o estepe ainda é o original, nunca usado e ainda com as marcas de tinta na banda de rodagem e os pelinhos de borracha, preferi guardá-lo como está para posterior homologação para placa preta, pela originalidade. Só pretendo usar o carro eventualmente e só na cidade, portanto deixarei outra roda de reserva para emergências.

Apesar de aparentemente desnecessária pelo desgaste, esta troca foi a favor da segurança e como manutenção preventiva, pois os pneus têm uma garantia de fábrica de 5 anos e uma vida útil de no máximo 10 anos, enquanto os originais estavam com quase vinte. O composto de borracha se deteriora naturalmente pela ação dos raios solares (em especial o ultravioleta), calor e ataque de produtos químicos, sem contar os riscos e cortes.

O mesmo acontece com outras peças de borracha do carro, como as mangueiras do motor, suspensão, vedação de portas e lanternas, etc.. As correias e mangueiras do motor serão as próximas a serem trocadas para evitar que trinquem ou vazem, protegendo o motor. Sai mais barato trocar todas do que correr o risco de danificar um motor tão novo. As lanternas traseiras também serão desmontadas e suas guarnições de borracha trocadas, para evitar eventual infiltração de água no portamalas. Outra coisa que costuma amarelar e quebrar com o tempo são as peças em acrílico, como as lanternas traseiras e lanterninhas internas do porta-luvas e do capô do motor. É só ir a um bom auto-elétrico, comprá-las novas (enquanto existirem) e substituir.

Anteontem, tive o primeiro problema mais sério com o Chevette. Estava saindo da Av. Nações Unidas em direção ao Shopping quando o motor simplesmente apagou. Como foi um corte brusco, é sinal típico de falha elétrica. Se fosse falta de combustível, o motor daria um engasgo antes de morrer. Abri o capô e verifiquei a fiação, distribuidor e bobina, notando que esta estava muito quente. Pedi aos amigos da Sotebra Motos uma estopa encharcada em água para resfriar a bobina, coloquei-a sobre ela e dei a partida sem problemas. Fui direto à Mopavi, onde encontrei e comprei uma nova bobina original Bosch. Pronto, o carrinho está perfeito novamente. São pequenos reparos que precisamos fazer, seja por precaução ou por necessidade. Afinal, são quase 20 anos de bons serviços prestados até agora, e muitos mais ainda daqui pra frente. Afinal, carro antigo tem que ser mantido original, impecável e rodando perfeito!

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