Internacional

Haiti: protestos tomam as ruas após resultado de eleição

Folhapress
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Porto Príncipe - Milhares de haitianos foram às ruas protestar contra os resultados das eleições presidenciais que, a princípio, deixaram fora da disputa do segundo turno o popular cantor Michel Martelly.

O aeroporto foi fechado. Nem comércio nem repartições públicas funcionaram na capital Porto Príncipe ontem, tomada por barricadas.

A sede do Inité, o partido do candidato do presidente René Préval, foi incendiada e rádios locais informaram que um homem morreu durante um protesto em Cabo Haitiano, a segunda maior cidade do país.

As manifestações, a maioria promovida por seguidores do centro-direitista Martelly, começaram ainda ontem, momentos depois que o CPE (Conselho Provisório Eleitoral) divulgou os resultados da atribulada votação de 28 de novembro.

Pelos resultados preliminares, que podem ser contestados até amanhã, disputarão um inédito segundo turno a ex-primeira-dama Mirlande Manigat (31, 37%) dos votos, e o governista Jude Célestin (22,48%).

Colado ao candidato de Préval aparece o cantor Martelly, com 21,84%.

A diferença tão pequena aumenta o dramatismo da situação, uma vez que o próprio CPE admite que em 4% dos locais de votação houve problemas na votação.

A ONU, que mantém missão no Haiti desde 2004 (Minustah) e é a principal fiadora da votação, pediu calma e revisão das irregularidades.

O Brasil, que comanda o braço militar da Minustah, divulgou nota na qual diz esperar que o processo “siga seu curso no estrito marco da lei, que prevê soluções institucionais para corrigir eventuais falhas no escrutínio”.

Enquanto França, ONU e Brasil pareciam coincidir na avaliação da situação haitiana, os EUA mudaram de tom entre ontem e hoje.

Ainda na noite de ontem, a embaixada americana em Porto Príncipe lançou dura nota na qual chama os resultados iniciais de “inconsistentes” e cobrava respeito à vontade popular haitiana.

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