Buenos Aires - Um incêndio numa prisão superlotada de Santiago, no Chile, deixou 81 detentos mortos e outros 21 feridos, a maioria em estado grave.
A pior tragédia do sistema prisional do país, conforme o próprio governo, começou na madrugada de ontem numa briga de gangues da Penitenciária de San Miguel.
Segundo relatos de sobreviventes, o fogo começou quando um dos presos utilizou um lança-chamas artesanal para queimar roupas e colchões da facção rival.
Os bombeiros e as equipes de resgate chegaram ao local em minutos, segundo o governo, mas tiveram dificuldades para controlar o incêndio, que tomou rapidamente celas onde ficavam 147 detentos. A penitenciária tem capacidade para 1.100 presos, mas abrigava 1.960.
A demora na identificação das vítimas e a falta de informações provocou revolta de familiares, que protestaram em frente ao presídio e enfrentaram a polícia com pedras e pedaços de madeira.
Até as 19h30 de ontem, 31 corpos haviam sido identificados por meio das impressões digitais. Os detentos mortos tinham entre 20 e 39 anos, e a maioria cumpria pena por roubo.
O presidente chileno, Sebastián Piñera, que qualificou o incêndio como uma “tremenda e dolorosa tragédia’’, admitiu que o sistema carcerário chileno é “absolutamente desumano” e disse que buscará “todos os responsáveis” para apurar se houve negligência ou erros por parte dos agentes.
O ministro da Justiça, Felipe Bulnes, reconheceu que a superlotação da penitenciária como uma das causas da tragédia, mas afirmou que o problema se arrasta por décadas e que não é possível resolvê-lo em “nove meses nem em quatro anos”, referindo-se ao atual governo, que tomou posse em março.
Piñera assumiu o compromisso de aumentar o número de penitenciárias e de melhorar as condições, mas deixou claro que não pretende reduzir a população carcerária, para “garantir a segurança dos cidadãos”.
Segundo relatório do Ministério Público chileno divulgado após investigação de outro incêndio, que matou dez presos em 2009, a população carcerária do país cresceu 40% desde 2003.
O mesmo estudo apontou que todas as grandes prisões chilenas têm capacidade para apenas metade dos detentos que abrigam.
O documento também afirma que a superlotação contribui para as brigas entre facções de presos, que resultam em mais de 30 mortes por ano, e que os agentes penitenciários enfrentam dificuldades como baixos salários e falta de equipamentos de segurança.