No século passado, no ano de 1989, eu estava a pescar uns lambaris bem no fundo do rio Batalha, no município de Avaí. Vocês sabem que para fisgar lambaris a gente tem que andar muito. Naquele dia, foi um tal de subir e descer o rio que não acabava mais.
Eu fisgava um aqui, outro ali, e assim eu estava a pescar quando começou a escurecer justo no momento que enroscou o anzol. E como eu não queria quebrar a linha, eu resolvi tirar o anzol do enrosco com a mão mesmo. Tirei o relógio do pulso e coloquei em cima de um pequeno arbusto que estava atrás de mim. Tirei o anzol do enrosco e segui em frente pescando.
E já estava bem longe quando dei pela falta do relógio. Como já estava quase escurecendo, eu não encontrei mais o local que tinha deixado o relógio. Então, eu disse para mim mesmo: "- É um relógio velho, já estava pensando em aposentá-lo, deixa pra lá. Era uma vez um relógio velho".
Passados uns 15 anos ou mais, eu voltei a pescar por aquelas redondezas e não me lembrava mais do ocorrido, só que nesse dia não estava bom para peixes. Não tinha pego nenhum quando pus a vara de espera. Deitei debaixo de uma árvore, e no silêncio da tarde eu escutei um tic-tac-tic-tac bem no alto da árvore. Olhei para cima e vi um relógio dependurado num galho da árvore.
Subi na árvore e encontrei o dito relógio que tinha perdido anos atrás. O arbusto tinha crescido e era à sombra daquela árvore que eu estava deitado. O relógio ainda estava funcionando. Agora vocês vão dizer que é uma mentira de pescador, mas eu vou procurar o relógio para mostrar a vocês.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias.