Política

Grupos ampliam negociações na Câmara

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 6 min

Faltam apenas cinco dias para a eleição da presidência da Câmara Municipal de Bauru e as articulações entre os vereadores se intensificaram nas últimas horas. Por ora, Chiara Ranieri (DEM) e Gilberto dos Santos (PSDB) são os nomes mais citados do G7, grupo de parlamentares que forma a oposição ao governo. Já pelo lado do G9, os vereadores da situação Renato Purini (PMDB) e Roberval Sakai (PP) tentam emplacar suas candidaturas. Fabiano Mariano (PDT), também situacionista, aparece como “terceira via” e Roque Ferreira (PT) pode confirmar hoje sua candidatura.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara, a eleição será no próximo dia 15, em sessão especial, que começará às 9h. A reunião termina quando os vereadores decidirem as candidaturas, com as composições das duas secretarias da Mesa e da vice-presidência.

Mas, caso não haja consenso, o presidente da sessão de eleição poderá convocar os partidos e determinar a indicação dos candidatos até aquele momento. Nesta hipótese, os candidatos terão de confirmar a inscrição para a disputa de cada função e, caso não haja chapa articulada, individualmente os postos vão a voto. Quem tiver mais votos, independentemente do total de apontamentos, é o eleito.

A exemplo da disputa decorrente da eleição de 2008, quando da época da posse da atual legislatura, não está sendo fácil nem para o o governo e nem para a oposição formar maioria para a composição da Mesa do Legislativo. A chance da oposição fazer o presidente estará na habilidade de atrair para o bloco votos não tão seguros para o Executivo, como os da bancada do PP, composta por Roberval Sakai e Carlos Bastazini. Mas, em situação distinta mas também com certa volatividade, está a bancada do PPS. Moisés Rossi e Amarildo de Oliveira não falam a mesma língua.

Para Chiara, a eleição da Câmara pode ficar polarizada entre ela e Purini, caso suas candidaturas sejam consolidadas entre os grupos. E, nesse cenário, ela posta na dissidência institucional para chegar à presidência. Ou seja, para alguns edis, mesmo da situação, não é bom para a cidade o prefeito ter o comando da Câmara em 2012, quando tentará a re-eleição. “Mas, acredito que todas as definições deverão ficar para o dia da eleição”, observa.

Os votos do PSDB, bancada formada por três vereadores (Marcelo Borges, Gilberto dos Santos e Fernando Mantovani), serão decisivos para os planos de Chiara. Os tucanos votam em bloco, conforme assegurou Borges, líder do grupo. E ele destacou que Giba é o candidato do partido á presidência, mas a legenda ainda está aberto a conversas. Com a experiência política que tem, Borges não se arrisca a prever um cenário para o dia 15. Ele avalia que, na hora da definição, o presidente pode ser até um vereador que sequer tenha lançado candidatura.

Já Purini repete que o ideal seria construir consenso entre os 16 vereadores, antes das eleições. “Se houver desprendimento de vaidade e de interesses pessoais, seria muito melhor, institucionalmente falando, conseguirmos escolher um único nome”, observa. Mas, apesar do discurso, o próprio peemedebista, de fato, não põe na mesa a possibilidade de não ser candidato.

Para ele, que já foi presidente da Casa, vereador de situação votar em oposição, e vice-versa, não atrapalharia as relações entre Executivo e Legislativo. “É uma eleição institucional. Por isso, é preciso avaliar o que é melhor para a Câmara”, discursa.

Para o líder do prefeito na Casa, arrastar uma definição para o dia 15 seria prejudicial. “O que complica é a indefinição perdurar até a quarta-feira. Isso pode levar a um rompimento institucional, o que é ruim para o Legislativo”, avalia. O problema é que se já está difícil obter consenso dentro da situação, será ainda mais trabalhoso convencer a oposição a apoiar alguém do G9, antes do dia da eleição.

Roberval Sakai também intensificou articulação. “Estou conversando com colegas, e tentando viabilizar cada vez mais o meu nome”, observa. “Mas, definição mesmo, só no dia”, admite.

Terceira via?

Fabiano Mariano (PDT) aparece como vereador que poderia cumprir o papel de aglutinar os dois grupos. Porém, faz questão de afirmar que votará conforme o consenso que será construído. “Estou muito tranquilo em relação a isso. Se decidirem pelo meu nome, não fugirei da responsabilidade”, afirma.

Roque Ferreira (PT) também está flertando com a possibilidade de assumir a presidência do Poder Legislativo. Para ele, os candidatos atuais à mesa diretora não apresentaram projeto sobre os rumos do parlamento na cidade. O petista defende que é preciso concentrar esforço para conscientizar a população sobre o papel da Câmara e dos vereadores.

“Esse debate não foi feito e me proponho a fazê-lo”, disse. Porém, a cinco dias da escolha, o petista também não apresentou sua plataforma, a exemplo dos demais.

Natalino Davi da Silva (PV), Moisés Rossi (PPS) e Paulo Eduardo de Souza (PSB) são outros vereadores que também manifestaram desejo de assumir a presidência do Legislativo. O problema deles é o de outros: vontade se transformar em voto. A questão concreta neste momento é que mesmo todas as negociações já feitas e as alianças que podem ser firmadas podem resultar em nada na próxima quarta-feira. Não será surpresa se o próximo presidente da Câmara for um nome completamente diferente do que foi especulado até agora.

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Missões do cargo

O próximo presidente da Câmara Municipal de Bauru terá de responder à pressão pelo aumento de vagas na Casa. A atual legislação permite aumentar as cadeiras para até 23 vagas. Para isso, será cobrado pelos partidos a apresentar projeto para modificar a Lei Orgânica Municipal com o objetivo de ampliar as atuais 16 cadeiras, de um lado, e enfrentará a resistência da sociedade ao inchaço de estrutura, de outra parte.

Quem comandar a Mesa Diretora em 2011 e 2012 terá de consolidar a escolha, já realizada, pela mudança de sede da Casa. A Câmara pagou parte do prédio da estação ferroviária e o próximo presidente é quem terá de investir na reforma e instalações.

O presidente da Mesa terá de atuar firme para a proteção e fortalecimento institucional da Casa, garantir equilíbrio e fiscalização do Executivo inclusive em ano eleitoral. Além disso, em 2012, o presidente da próxima Mesa Diretora é quem terá de ser o sentinela do processo político institucional local sabendo que o atual prefeito, Rodrigo Agostinho, dificilmente não será candidato à ree-leição.

O presidente do Legislativo terá de assumir a assinatura do projeto que vai definir o valor a ser definido para o subsídio dos próprios parlamentares para o próximo mandato (2013-2016). A decisão vai acontecer até o período pré-eleitoral de 2012.

O novo comandante do Poder Legislativo de Bauru pode enfrentar tempestade política exatamente em época de reacomodação de grupos na cidade, com a oposição de prontidão para apontar as feridas do atual governo.

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