Cultura

Grupo Solar em ‘On The Beats’

Por Karla Beraldo | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de um ano debruçados sobre os autores-símbolo da geração beat - Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Willian Burroughs -, os integrantes do Solar - Grupo de Teatro fazem as últimas apresentações do projeto cênico “On The Beats”. Desde de agosto, o projeto tem feito apresentações mensais de algumas das cenas que integram a produção. Hoje e na próxima quarta, o trabalho será levado integralmente ao palco do Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”. As sessões estão marcadas para às 21h e a entrada é gratuita.

“As apresentações realizadas todos os meses foram uma forma de testar as cenas. Em novembro, fizemos duas apresentações completas e, agora, essas encerram o projeto desenvolvido ao longo do ano”, comenta Elio Andreotti, diretor do Solar. O nome do grupo, escolhido neste ano, batizou o conjunto de integrantes das oficinas de teatro da Divisão de Ensino às Artes, da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

Partindo da leitura dos textos “On The Road” (Jack Kerouac), “Uivo” (Allen Ginsberg) e “Almoço Nu” (Willian Burroughs), as 10 cenas de “On The Beats” trazem à tona quatro principais temáticas: amizade, espiritualidade, hedonismo e drogas. “Jack é o mais beato, no sentido de ser mais puro e trabalhar muito a questão da amizade; já Willian é osso duro de roer e toca muito na questão da homossexualidade, por exemplo; o Allen, em contrapartida, é um poeta, em cuja obra você encontra de poemas existencialistas a muito ácidos. Assim, cada autor com seu diferencial nos trouxe referências para a abordagem desses temas”, explica Andreotti.

Como os trabalhos anteriores do núcleo, “On The Beats” foi construído sob a perspectiva da “normose” (patologia da normalidade), termo cunhado por Pierre Weill e Roberto Crema. De 2006 até aqui o grupo já criou “K”, baseado em Franz Kafka, “Deus ex machina”, em Albert Camus e Herman Hesse a ano passado, “Réquiem,um estudo de incômodos”, produzido a partir da dramaturgia de Eugene Ionesco, August Strindberg, Federico Garcia Lorca, Harold Pinter e Nelson Rodrigues.

“A patologia da normalidade refere-se a tudo que a sociedade considera normal, mas não é. Ser agressivo, consumir em demasia, entre tantos outros comportamentos e atitudes que se tornaram hábitos e que as pessoas não questionam mais”, explica o diretor. “As produções são uma tentativa de explorar o campo da percepção e sensação do grupo. O que queremos é que as pessoas sintam”, finaliza.

• Serviço

“On The Beats”, com Grupo Solar, hoje e quarta, às 21h, no Teatro Municipal (Nações Unidas, 8-9). A entrada é gratuita. Mais informações: 3235-1088.

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Geração beat

Termo usado tanto para descrever um grupo de artistas norte-americanos, principalmente escritores e poetas, que vieram a se tornar conhecidos no final da década de 1950, quanto ao fenômeno cultural que eles inspiraram. Estes artistas levavam vida nômade ou fundavam comunidades. Foram, de certa forma, o embrião do movimento hippie.

Os membros da geração beat ganharam o título de boêmios hedonistas que celebravam a não-conformidade e a criatividade espontânea. Representaram ainda a voz nos EUA a levantar-se contra o macartismo, política de intolerância que promoveu a chamada “caça às bruxas”.

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