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Classe C: sedenta por consumo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A ascensão social está em curso no país. Nos últimos anos milhões de brasileiros melhoraram sua condição social, saindo das denominadas classes D e E, ascendendo para a classe C.

A classe C tem cerca de 95 milhões de pessoas, representando 50,5% da população brasileira. Uma família é classificada como classe C quando a renda domiciliar se situa entre R$ 1.500 e R$ 5.100, ou seja, de 3 a 10 salários mínimos.

São pessoas que querem literalmente tirar o atraso. Atualmente possuem renda maior, boas perspectivas em manter o emprego, enfim, vivem um novo momento no tocante as suas posses. O mercado já percebeu essa disposição ao consumo e amplia as ofertas voltadas a este público consumidor. Os gastos estão mais diversificados e há um grande volume a ser explorado.

Estão dispostos a gastar mais em eletrônicos. Neste ano, por exemplo, os gastos nestes produtos já atingiram R$ 20,1 bilhões. Recente pesquisa do IBGE indica que ultrapassaram o consumo das classes A e B. Vale lembrar que, se as classes A e B não são volumosas, por outro lado possuem renda mais robusta, o que potencializa o seu poder de compra.

A classe A tem renda mensal acima de R$ 10.200 ou 20 salários mínimos e a classe B renda entre R$ 5.100 e R$ 10.200 (de 10 a 20 salários mínimos).

O retrato atual indica que um terço das residências da classe C possui computador. O televisor está presente em 95% dos domicílios desta classe social e estão modernizando, com a compra de televisores de LCD.

Os núcleos familiares mudaram o comportamento no que se refere ao mercado de trabalho. Antes limitado ao homem da casa, as mulheres engrossaram o orçamento doméstico à medida que passaram a fazer carreira em empresas. Com isso passaram a exigir produtos mais sofisticados. Por exemplo, em relação à geladeira, o sonho de consumo agora é a duplex e o freezer, sinônimo da elevada inflação, será abandonado.

É fácil concluir que a classe C está sedenta por consumo. Evidentemente que a concessão de crédito tem que ser feito com critério, mas por outro o mercado está escancarado para quem tiver a melhor estratégia. Ainda não há como avaliar o impacto das recentes medidas que restringem o crédito no varejo, entretanto, na criatividade e bom atendimento será possível explorar todo potencial existente.

É hora de aproveitar o crescimento deste mercado de consumo e ter as melhores práticas comerciais.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC

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