Política

Situação racha e põe Sakai na presidência

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

A bancada de situação perdeu e o vereador Roberval Sakai Bastos Pinto (PP) é o novo presidente da Câmara Municipal de Bauru para o biênio 2011-2012, em uma composição de última hora com a oposição. Na eleição que demorou quase 13 horas, Sakai terá ao seu lado na vice-presidência Moisés Rossi (PPS), além de Carlinhos do PS (PP) na primeira secretaria e José Roberto Segalla (DEM) na segunda secretaria. Mas ainda ontem à noite Segalla avisou que ficará na secretaria por apenas três meses, até Gilberto dos Santos (PSDB) ter disponibilidade para assumir seu lugar.

A derrota na eleição da Mesa aponta ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB) a necessidade de reconstruir sua aliança política para evitar obstáculos a seu projeto de reeleição e, ainda, impõe aos situacionistas o amargo gosto de ter experimentado do veneno alheio: os governistas negociaram cargos e, no final, viram os dois votos situacionistas do PP migrarem para um acordo que reuniu DEM, PPS e PSDB.

Na prática, a já conhecida frágil maioria do G9 expôs suas rachaduras e a oposição, que era G7, é quem sai da eleição da Mesa Diretora realizada ontem com o aceno de contar com dois novos integrantes - os vereadores Roberval Sakai e Carlinhos do PS, do PP. Com possível minoria, o governo Rodrigo agora sofrerá o risco de não emplacar vagas nas principais comissões temáticas da Casa de Leis, além de ficar muito mais distante a possibilidade de aprovar projetos na Câmara, mesmo os que não exigem 2/3 (11 votos). A ala governista insistiu com a candidatura de Renato Purini até a última hora, mesmo percebendo que, mesmo dentro do grupo, havia restrição ao peemedebista. Além disso, o grupo que apoia o prefeito Rodrigo abusou da insistência em negociar mais espaços no governo, irritando em demasia o grupo contrário. O “pacotão” incluiu várias negociações, entre elas uma secretaria para o PDT, promessa para vaga para o próprio PP e até o PV.

Mas o pacotão, como foi chamada a negociação entre alguns vereadores, tentou impor Purini, de um lado, enquanto o atual presidente da Casa, Pastor Luiz Barbosa (PTB), pedia a permanência de Abel Abreu como chefe de Gabinete. A vaga na Diretoria de Comunicação também foi disputada. Mas nem a bancada de situação digeriu a articulação e, então, o grupo que apoia o prefeito passou a acenar com outras fórmulas. Uma delas foi aproveitar Abel em um posto da prefeitura.

A situação esticou tanto a enrolada negociação interna que se esqueceu que, do outro lado, não estavam apenas coadjuvantes prontos para a derrota. Arrogância política, perda do senso misturada a uma disputa sem critério por divisão de espaços dentro do próprio governo geraram cansaço, estresse e abriram espaço para a dissidência.

A vaga de presidente, então, caiu no colo de Sakai que, apesar de ter titubeado com a alternativa de romper com a situação com quem ora havia conversado, aceitou a oportunidade de reescrever sua ainda iniciante trajetória política. Logo após, Chiara Ranieri (DEM) abria mão de sua candidatura. O Executivo saiu da eleição da Mesa com a certeza de que não dispõe de votos para aprovar matérias de maior peso e conteúdo e viu a oposição formar um bloco que, pelo menos na disputa de ontem, formou a temida aproximação entre DEM-PSDB-PPS-PP, o grupo dos nove. A situação teve sua base diluída ainda mais em PMDB-PR-PT-PDT-PTB-PSB-PV, todos curiosamente com apenas um voto cada.

Os governistas tentaram de tudo, inclusive oferecendo, no desespero, a presidência até para Amarildo de Oliveira, crítico da gestão Rodrigo, e mesmo para seu colega do PPS, Moisés Rossi. Mas era tarde. A possibilidade de Rossi ocupar a presidência pelos situacionistas até rondou o plenário mas, de novo, a insistência no pacotão, criou o ambiente para que Sakai debandasse rumo aos braços dos adversários das Cerejeiras.

O presidente do PMDB, Alex Gasparini, e o secretário de Esportes, o vereador licenciado José Carlos Batata (PT), foram ao Legislativo para tentar reverter o quadro. Mas não teve jeito, o PP já estava nos braços da oposição. O governo perdeu a eleição e disse não às vagas indicadas pela oposição para as demais vagas na Mesa.

José Roberto Segalla (DEM) classificou a medida de “falta de elegância”, lembrando que, na disputa anterior, os oposicionistas perderam para o governo mas, reconhecendo a derrota, apoiaram os nomes para a composição das secretarias da Casa. Mas a bancada de situação deixou o plenário durante o discurso de Sakai e saiu da Câmara indicando que iria retal.

____________________

Rodrigo: Sakai quebra confiança

“Não sei se o G9 virou G7. O que houve foi um rompimento, uma quebra de confiança política com o Sakai, que na noite anterior havia desistido de ser candidato para apoiar o Purini. Mas eu vou reunir o grupo e avaliar com os partidos que me apoiam a situação e tomar uma posição. Vou procurar manter uma relação de harmonia com a Câmara”, avaliou o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), ontem à noite, após a derrota na eleição da Mesa do Legislativo.

Ele reconheceu que a articulação em torno de Purini também envolveu a discussão de acomodação em cargos no governo de partidos como o PDT e PP. “A discussão para integrar o governo com mais espaço foi feita com o PDT e o PP e também com o PV, sendo que o Natalino dependia de conversa interna para nos dar uma posição. Mas eu vejo a eleição do Sakai com tranquilidade e sempre tive um diálogo bom com ele. Acho que como presidente ele vai atuar para garantir a governabilidade para a cidade. Vou ver todas as variáveis que aconteceram para discutir com o grupo o que fazer”, completou.

Comentários

Comentários