Política

Purini fala de traição

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de ter buscado consenso junto ao bloco situacionista para sua candidatura, ainda no final da noite de terça-feira, e ver a articulação desmoronar com o avançar das primeiras horas na quarta-feira, Renato Purini (PMDB), principal candidato da situação até então, se disse traído e afirmou temer por um racha dentro da Casa.

“Eu temo por um rompimento. Não foram 10 horas de articulação, foram 10 horas de desarticulação. Quando você chega na Casa com uma palavra empenhada, não há mais a articular”, disse Renato, referindo-se à conversa firmada no final da noite de anteontem com Sakai.

Renato fez questão de afirmar que Sakai mudou de posição várias vezes. “A palavra empenhada voltou atrás, pelo menos sete vezes. Na verdade, houve desarticulação e a ganância pelo poder. O poder pelo poder”, criticou. Entretanto, o candidato do governo se valeu da mesma prática, analisa a oposição, insistindo com seu nome após longas horas de conversas oferecendo espaços no governo.

Para Purini, o Legislativo perdeu com o episódio. “Acirrou um pouco os ânimos. Os discursos foram mais inflamados do que eram, houve dificuldade em se compor a Mesa. Há uma fragilidade grande. A presidência da Casa nunca foi do grupo que o elegeu e que agora chega. Há uma fragilidade de confiança. Pois da mesma forma que fizeram conosco, pode se fazer com eles. É uma relação difícil e dentro da situação haverá uma dificuldade grande de diálogo com os dissidentes”, previu.

Porém, o líder do prefeito avaliou que não haverá dificuldades na relação entre os poderes. “Do ponto de vista das questões políticas, em relação ao Executivo, cabe o bom senso de cada vereador. Independentemente das posições aqui, cada vereador presta contas para quem votou nele”, observou.

Sobre os debates envolvendo o futuro da Casa, como nova sede e aumento do número de vereadores, Purini lembrou que a responsabilidade da condução é da nova Mesa. “Do ponto de vista da Câmara, cabe à Mesa decidir e espero que façam da melhor forma. É isso que esperamos. E quando percebermos que não foi da melhor forma, vamos apontar os erros”, pontuou.

Renato disse que abdicou de sua candidatura ao ver que Sakai tinha mais votos ao se juntar à oposição. “Abri mão porque chegou um momento em que foi necessário definir. No momento em que disse que não iria honrar com a palavra, que seria candidato pelo outro lado pois queria ser presidente, nesse momento eu disse que me retirava. Sou homem de palavra e aprendi na minha casa princípios de moralidade, lealdade e caráter”, disse irritado.

Para o peemedebista, não houve erro de estratégia por parte da situação. “Caminhamos dois anos com um grupo de nove e no dia da eleição esse grupo de nove vira sete..."

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