Política

Sessão de 13h escancara negociações

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A sessão especial para a eleição da Mesa Diretora da Câmara ultrapassou em muito 12 horas de duração e expôs, abertamente, negociações por cargos e ampla interferência do Executivo no outro Poder. Aberta às 9h14, a reunião foi suspensa menos de cinco minutos depois. Os trabalhos só foram retomados depois das 18h e encerrados perto das 22h.

Oposição e situação revezavam as salas do prédio do Legislativo para suas negociações. As reviravoltas aconteceram de toda parte e nem governo e nem oposição podem reclamar de tentativas de acordos. Sakai foi assediado pela oposição, mas o governo também convidou Rossi e até Amarildo, no desespero, para assumir a presidência da Casa de Leis.

Por volta das 10h30, Moisés Rossi (PPS) lançou o seu nome para a presidência, na tentativa de arrebanhar votos dos vereadores de situação. Natalino Davi da Silva (PV), que não abria mão da sua candidatura, permaneceu boa parte da manhã fechado em seu gabinete, enquanto as negociações prosseguiam nos corredores.

Tropa de choque

Percebendo que a candidatura de Purini corria risco, uma verdadeira tropa de choque chegou ao Legislativo. Encabeçada por Alex Gasparini, os articuladores tentavam convencer Barbosa a permanecer na situação e Sakai a voltar e fechar com o grupo.

O atual chefe de gabinete de Barbosa, o ex-delegado Abel Abreu, participou diretamente das reuniões de negociação e de maneira intensa. Sua permanência em um cargo estava em jogo, mas havia muita resistência entre vereadores.

Pouco depois das 14h, o secretário municipal de Esportes e Lazer, José Carlos Batata, chegou para reforçar o time governista. Ele e Alex Gasparini permaneceram inclusive em plenário tentando convencer vereadores a votar no grupo do prefeito.

Mas quando a situação acreditava ter conseguido mais uma vez o número de votos necessários para eleger Purini, a sessão não pode ser retomada. Luiz Barbosa e Natalino estavam há mais de uma hora fora. Eles só apareceram por volta das 17h. Pastor Luiz disse que foi com Natalino na Pousada da Esperança e passou em um supermercado e em uma agência bancária, erro fatal, o suficiente para a oposição acionar Sakai novamente como candidato. Carlinhos do PS falou firme com o colega e pediu sua posição definitiva.

A situação, então, apontou para a candidatura de Roque Ferreira (PT), ainda que para marcar posição.

Irritado, Marcelo Borges (PSDB) chamou de vergonhosa a insistência da situação em arrastar a suspensão da sessão por não contar com a maioria. “É um desrespeito. Eles têm que saber perder. Nós perdemos a primeira. Estamos aqui desde às 9h e agora eles estão vindo aqui, oferecendo a presidência para todo mundo”, criticou.

Em discurso inflamado, Roque Ferreira criticou a troca de favores. “O que vimos neste momento foi uma das negociatas mais espúrias para conseguir o poder nesta casa”, afirmou. “Os homens crescem quando mudam de lado a partir de uma reflexão. Agora, os homens se comparam aquilo que escorre pelo esgoto quando mudam de lado, de posição, de acordo com os interesses colocados no presente para ele”, pontuou.

Após o discurso foi aberta a votação. Além do dele, Roque teve os votos de Carlão do Gás, Renato Purini, Natalino, Fabiano Mariano, Barbosa e Paulo Eduardo de Souza. Já Sakai foi apoiado por Amarildo, Moisés, Marcelo Borges, Carlinhos do PS, Chiara, Mantovani (PSDB), Segalla e Gilberto dos Santos (PSDB).

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