A família de Alexsandro Pereira Perez Martins, 29 anos, que foi preso em flagrante por tráfico de drogas no último dia 9 no Núcleo Fortunato Rocha Lima, em Bauru, registrou boletim de ocorrência (BO) para denunciar um suposto caso de tortura sofrido pelo jovem no dia de sua detenção. No documento, a irmã do rapaz acusa a Polícia Militar (PM) de ter cometido agressões contra Alexsandro no momento em que foi abordado.
Na ocasião, ele foi detido por policiais militares com mais de 800 gramas de maconha envoltos em plástico transparente. Segundo a versão da PM registrada em BO, o acusado estava saindo de sua residência em uma bicicleta e teria tentado escapar quando foi abordado durante procedimentos policiais rotineiros. Na tentativa de fuga, Alexsandro, aparentemente sob o efeito de drogas, teria caído e ferido o cotovelo e a face.
Os policiais militares relatam no documento que tiveram dificuldades para prender o acusado, que teria estimulado a população do local a agir de maneira hostil contra a PM. Com a chegada do reforço policial, ele foi levado ao Hospital de Base (HB) por conta da queda e dos ferimentos.
No entanto, a família do moço relata outra versão. De acordo com o delegado Dinair José da Silva, do 1.º Distrito Policial (DP), a irmã do acusado procurou a delegacia para denunciar a PM de ter torturado Alexsandro no dia de sua detenção.
“A família admitiu que o acusado é envolvido com drogas, mas relatou que, no dia da abordagem, a polícia teria jogado Alexsandro contra o muro de sua casa e agredido-o. Segundo testemunhas, os policiais teriam chegado a pisoteá-lo e enforcá-lo”, diz Dinair.
Para apurar o caso, foi instaurado um inquérito que já deu início às investigações. “Vamos requisitar exames no IML para que sejam descritos os graus de lesões, localizar e ouvir testemunhas, o Alexsandro e também os policiais envolvidos que atenderam a ocorrência”, frisa o delegado. Alexsandro está internado no HB e seu estado de saúde é regular.
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Polícia vai investigar
De acordo com o major Reginaldo de Souza Braga, subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior de Bauru, uma investigação preliminar será aberta hoje para a apuração das denúncias feitas pela família do acusado.
“O oficial designado vai ouvir os queixosos, os policiais que atenderam a ocorrência e as testemunhas, anexando todos os documentos pertinentes”, explica.
A partir dos resultados dessa investigação inicial, o oficial solicitará o arquivamento das denúncias ou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM), que será encaminhado à Justiça Militar.
“Nós somos contra qualquer conduta irregular. No entanto, até agora, temos versões do caso, que será apurado detalhadamente. Caso as denúncias sejam procedentes, os policiais serão submetidos às punições previstas pelo Código Penal Militar”, afirma o subcomandante.
Major Reginaldo disse ainda que os policiais envolvidos com o caso poderão também responder por desobediência a questões administrativas.