São Carlos - A polícia localizou na tarde de ontem uma arma dentro de um dos tanques de tingimento da empresa Toalhas São Carlos (147 km de Bauru). A pistola 9 mm passará por exames periciais que poderão constatar se partiu dela o tiro que matou, na terça-feira, um dos donos da empresa, o empresário Eduardo Abdelnur, 46 anos.
A arma estava envolta em lodo, de cerca de 30 centímetros de altura, num tanque cuja capacidade é de 1 milhão de litros d’água. Segundo a polícia, a pistola, que pertence à família, foi jogada no local por um irmão do empresário - que alegou ter ficado nervoso no momento em que encontrou o corpo.
A principal linha de investigação da polícia é que Eduardo tenha cometido suicídio. Um bilhete de despedida, provavelmente escrito pelo empresário, foi apreendido na sala da presidência da empresa.
Documentos escritos pelo empresário também foram apreendidos para confrontação com a grafia do bilhete. “Uma análise preliminar nos diz que o bilhete foi escrito por Eduardo”, diz Adriano Callsen Alexandrino, delegado do 4.º Distrito Policial de São Carlos.
A hipótese de suicídio, segundo Alexandrino, só poderá ser descartada se no exame, que já foi solicitado pela polícia, constatar que o tiro partiu de uma distância maior do que a de um braço. A outra hipótese é a de homicídio.
A polícia diz ter tido acesso a um e-mail enviado à família pelo psiquiatra de Eduardo, que fica em Ribeirão Preto, na véspera da morte do empresário. No texto, o médico teria dito que “Eduardo havia faltado a última consulta e que a condição do paciente era preocupante”.
Com a localização da arma, a polícia poderá confrontar - por meio de exame balístico - se o projétil encontrado próximo ao corpo saiu da pistola apreendida. O laudo deve ficar pronto em 20 dias.
O empresário foi encontrado morto, com um tiro no peito, por volta das 10h da na terça-feira, em sua sala na empresa de São Carlos, que fabrica roupas de banho desde a década de 40.
Há dois meses, a Toalhas São Carlos entrou com pedido de recuperação judicial na 2.ª Vara Cível da cidade por causa do deficit gerado pelo acúmulo de dívidas com bancos e fornecedores. Por causa da situação da empresa, há 35 dias foram demitidos 172 funcionários de diversas funções. A demissão encerrou as atividades do terceiro turno e gerou insegurança nos outros 368 funcionários.