Geral

‘Neuróticos Anônimos’ luta por uma sala para reuniões

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O grupo de apoio Neuróticos Anônimos (N.A.) de Bauru, que funciona há 16 anos, está reivindicando à administração municipal um espaço para a realização de suas reuniões que são gratuitas e abertas aos interessados. Atualmente, os dois grupos existentes na cidade, Novo Mundo e Milagres Acontecem, fazem seus encontros em salas alugadas e pagas por doações feitas pelos membros do grupo.

Como o N.A. é de utilidade pública, atende em sua maioria dependentes químicos, inclusive de crack, problema já considerado epidemia, os membros entendem que o ideal seria ter uma sede própria custeada pelo poder público. Um dos membros do grupo, que em respeito às regras do N.A. teve seu nome preservado, sugere que este espaço seja o imóvel 12-83 da rua Araújo Leite, que está fechado.

Ele relata que protocolou solicitação neste sentido na Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) em fevereiro deste ano e obteve resposta verbal de que o prédio está fechado para reforma. Mas ponderando que o N.A. pode esperar a prefeitura reformá-lo, aproveita as discussões em torno do avanço do crack na cidade e a dificuldade para tratar os dependentes da droga para apontar que o grupo de apoio é uma alternativa.

O N.A. é um grupo de apoio no qual seus integrantes compartilham experiências, dão testemunho de suas lutas pessoais visando resolver problemas emocionais comuns e, assim, se reabilitarem da doença mental e emocional, o que inclui a dependência química. O membro do grupo que procurou o JC para tornar pública a reivindicação da sala relata que está há cinco anos no N.A. e desde então não usa drogas.

“Eu usava álcool, maconha, cocaína. E estou há cinco anos e 13 dias limpo. Quando entrei no grupo, estava desempregado, minha mulher havia me deixado e meu filho não queria mais saber de mim. Hoje estou trabalhando, reatei meu casamento e meu filho está em recuperação no N.A. junto comigo”, relatou.

Atualmente, de acordo com ele, boa parte dos participantes das reuniões do N.A. na cidade é dependente de crack. E, por isso, reforça a necessidade do N.A. ter um espaço com sala para reuniões, banheiro e copa. Citando seu exemplo, ele afirma que seguindo a filosofia dos 12 passos pregados pelo N.A., que orienta a pessoa como agir, um dependente de crack pode viver sem a droga mesmo sem tomar nenhuma medicação.

“Seguindo os 12 passos, com fé, força e esperança, é possível”, diz o membro que atualmente já tem afilhados, como são chamados os membros mais recentes e para quem são espelho. “Depois que você compreende a doença, seguindo os 12 passos, consegue estacioná-la. Se espelha no companheiro recuperado e diz: Se ele consegue, eu também consigo. É assim que funciona. O N.A. não é para quem precisa, é para quem quer”, completa.

____________________

Outro espaço

A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico irá instalar no prédio 12-83 da rua Araújo Leite o Centro Municipal de Atendimento ao Trabalhador. Para isso o espaço passará por reforma para se adequar à nova finalidade.

A Sebes se coloca à disposição da entidade para novos esclarecimentos, além de colocar a estrutura do prédio da avenida Alfredo Maia à disposição da instituição. A secretaria pretende convidar a entidade para uma reunião no início do ano para verificar no que pode auxiliá-los.

____________________

Bauru tem dois grupos

Em Bauru funcionam dois grupos de N.A. O mais antigo, Novo Mundo, faz suas reuniões numa sala da praça Rodrigues de Abreu, 2-55 (anexo à Igreja Santa Teresinha). As reuniões são realizadas todas as terças e quintas-feiras às 20h e aos sábados às 10h. Cerca de 15 pessoas estão atualmente participando das reuniões. Já o grupo mais recente, o Milagres Acontecem, faz suas reuniões na rua dos Andradas, quadra 2, anexo à Igreja São Benedito, na Vila Falcão, às segundas e sexta-feiras sempre às 20h.

Além das reuniões, o grupo de apoio conta com orientação pelo telefone (14) 9719-1135. Os grupos de Bauru também prestam atendimento a abrigados na Fundação Casa. Mais informações nos sites www.na.org e www.na.org.br.

Comentários

Comentários