Uma pesquisa realizada pela Marcondes Consultoria, com o apoio do Instituto Datafolha, revelou o perfil do brasileiro a partir de seus valores. O estudo inédito no País mostrou que os brasileiros se relacionam com a imagem de indivíduos amigáveis, honestos, alegres e humildes, que admiram princípios elevados, como a honestidade e a justiça. No entanto, apresentam uma visão crítica quando questionados a respeito da sociedade atual.
Entre os valores pessoais, os mais citados pelos 2.554 entrevistados de 160 municípios foram amizade (50,9%), família (44,5%) e honestidade (39,5%). Os brasileiros afirmaram também que desejam uma sociedade com os valores da paz, justiça e redução da pobreza. Porém, acreditam que atualmente predominam a corrupção (54,1%), a pobreza (52,1%) e a violência (51,6%).
Para o professor aposentado Bonfim José do Nascimento, 68 anos, o brasileiro não muda nunca e continua sempre disposto a lutar individualmente por dias melhores. “Nós vivemos de esperança, principalmente os mais pobres. Somos um povo trabalhador, mas estamos sempre fazendo nossas apostas, nossos jogos, na tentativa de mudar de vida”, explica.
A esperança é citada como um valor pessoal por 26,6% dos entrevistados da pesquisa, que aponta também a baixa auto-estima do brasileiro para criar iniciativas e atuar como protagonistas em prol das mudanças que desejam para a sociedade.
“Nós temos que começar a trabalhar muito cedo, somos forçados a viver sempre o presente. Se os brasileiros pudessem estudar mais, teriam mais condições de pensar no futuro”, alega Nascimento.
Segundo o antropólogo Cláudio Bertolli, sempre existiu a contradição entre a auto-representação dos indivíduos e a visão deles sobre a sociedade.
“O ser humano coloca-se como um arquiteto de um projeto de uma sociedade ideal. No entanto, esse ideal de vida nunca será alcançado, especialmente no período da pós-modernidade, marcada pelo fim das grandes utopias”, explica.
Bertolli afirma que a ideia de um povo brasileiro fraternal, receptivo e alegre foi adotada a partir do governo de Getúlio Vargas, quando o País exportou para o mundo figuras como Carmen Miranda e o personagem da Disney, Zé Carioca.
“Nossa cultura respondeu a essa representação criada, mas os brasileiros não são mais felizes que os americanos ou que os franceses.”
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Geração Y por um Brasil melhor
A pesquisa realizada pela Marcondes Consultoria dividiu os entrevistados por renda, sexo e nível de escolaridade. Um dos destaques entre os grupos é a chamada Geração Y, formada por jovens nascidos em meados da década de 1980, que cresceram cercados pela evolução tecnológica e pela invasão dos computadores e dos aparelhos celulares.
Segundo a pesquisa, esse grupo de pessoas busca valores relacionados ao bem coletivo e à transformação da sociedade, exigem respeito e estimam a ética, os relacionamentos, a independência e a coragem.
A estudante Maria Francisca Costa, de 20 anos, é internauta convicta e acredita que a única forma de transformar a sociedade é a partir do investimento em educação. “Falta preparo para que os brasileiros desenvolvam senso crítico em relação à sociedade para que possam agir e mudá-la. Tento fazer a minha parte me informando com revistas e pela Internet.”