Regional

Mato contribui para a sobrevivência de insetos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Uma pesquisa do Instituto de Biociências da Unesp/Botucatu descobriu que algumas vegetações existentes em terrenos baldios e beira de estradas, conhecida popularmente por mato, são riquíssimas em néctar e atraem muitas espécies de insetos, inclusive a abelha Jataí. Preservar essas plantas poderia evitar erosões, contaminação do solo, perda excessiva da umidade e ainda manter em equilíbrio as ‘pragas’ da

agricultura.

A advertência é da professora, pesquisadora e doutora Lúcia Maria Paleari que, junto com a professora, pesquisadora e doutora Sílvia Rodrigues Machado descobriu que insetos muitas vezes não vistos a olho nu, em meio ao mato, fazem um trabalho super importante no controle natural das ‘pragas’.

A descoberta ocorreu durante uma pesquisa sobre o comportamento de um determinado besourinho, mas pode salvar a lavoura, explica a pesquisadora

“Não estamos propondo a preservação do mato. O que a gente sugere é que essas plantas, no meio científico conhecidas por Croton glandulosus, sejam mantidas na agricultura. Essas plantas produzem néctar e atraem grande quantidade de insetos, dentre eles os inimigos naturais das pragas.”

Uma lagarta comedora de folhas, por exemplo, pode não sobreviver por causa de uma vespinha que também busca o néctar nessas plantas ruberais. Esse movimento dos insetos evita a aplicação de inseticidas, herbicidas que podem contaminar o solo e até rios. “Quando você aplica uma substância dessa no solo, ela pode contaminar até um rio, quando levada pela chuva. Mantendo as áreas de plantio com o mato, o equilíbrio natural será mantido. As perdas serão dentro de um nível aceitável.”

Na área urbana, manter o mato é sinônimo de proteção aos microorganismos. As raízes ajudam a segurar os grãos, a terra, além de manter a umidade e evitar a erosão. “Quando cai, a chuva bate nas folhas e diminui o impacto contra o solo. Se o terreno ficar exposto ao sol vai destruir os microorganismos, por isso a vegetação é indicada para áreas em declive, mesmo assim, se tiver que aparar não pode ser de forma drástica. Ela dá cobertura para o solo contra a erosão.”

Essas plantas, as ruberais, são resistentes à seca e mantêm o néctar para os insetos e outros parasitóides. “O estudo é com Croton glandulosus, uma planta riquíssima em estrutura escretoras. Essas estruturas liberaram alguns tipos de substâncias e, dentre elas o néctar, que é composto de alguns açúcares, que atrai muitas espécies de insetos, uns vistos somente no microscópico, outros nem tão pequenos.” Para a professora, quando há destruição dessa vegetação de terrenos baldios e áreas de beira de estrada, o mesmo acontece com os pequenos insetos. “Quando há destruição dessa vegetação, a chance desses insetos sobreviverem é mínima. Alguns deles são mais sensíveis do que as próprias pragas.”

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