São Paulo - Quase nove anos depois de entrar em circulação em 16 países europeus, o euro ainda não decolou na preferência dos turistas brasileiros que vão para Europa. O motivo vai desde a dificuldade de encontrar a moeda até obter uma boa cotação ou conseguir vendê-la facilmente após a viagem.
Apesar de altos e baixos nas últimas semanas por causa da crise da dívida dos Pigs (Portugal, Itália, Grécia e Espanha), o euro tem variado menos em relação ao real do que o dólar, que perde valor diariamente frente às principais moedas e commodities do mundo.
Neste ano, o euro recuou 10,27% (3,9% só nos últimos 30 dias) e o dólar caiu 0,78% até sexta em relação ao real. No ano passado, a moeda europeia perdeu 22%, enquanto o dólar caiu 26%.
Quem compra a moeda europeia no Brasil em pequenos volumes acaba fazendo duas conversões sucessivas: de real para dólar e depois de dólar para euro.
A dupla operação cambial, que também ocorre no cartão de crédito, costuma ficar mais cara do que se envolvesse só uma conversão.
Nas casas de câmbio, o volume de euro negociado não chega a 5% das transações que envolvem comércio.
No câmbio de turismo, voltado a pessoas físicas, corretoras como a TOV já têm 20% dos negócios com euro.
“O euro tem seu público. Muitas empresas compram euros para viagens dos funcionários’’, disse Anchieta Almeida, da TOV.
Como o mercado é menor, o câmbio de euro tem uma diferença maior entre as cotações de compra e venda.
Na sexta, o euro era comprado pelas casas de câmbio por R$ 2,22 e vendido a R$ 2,34 -diferença de R$ 0,12. Já o dólar saia a R$ 1,67 para compra e R$ 1,76 para venda -variação de R$ 0,09.
A personal stylist Talita Barros, 22 anos, viaja todos os anos para Paris com objetivo de captar novas tendências de moda para formar o guarda-roupa dos clientes mas nunca leva euro do Brasil. “Nunca comprei nem cheguei a pesquisar cotação. Não compensa porque eu viajo muito e para vários lugares. É melhor ter dólar, primeiro porque é mais fácil para comprar e é aceito em todos os lugares. Dólar é a moeda internacional”, disse.
“O real se valorizou muito, mas não é uma moeda conversível. Nem na Argentina. O real é um satélite do dólar’’, disse Sidney Nehme, diretor da corretora de câmbio NGO.