Nem esperneando nem sapateando nos convencerão de que este país, como qualquer outro, pode se alavancar e sustentar um crescimento econômico e então dar condições melhores de vida tirando muitos de seus habitantes da miséria sem primeiro experimentar investimentos sinceros (não ingênuos, também não de matizes pirotécnicas) e duradouros (por décadas) em sua própria educação, educação básica! São notórios dois exemplos: o Japão e a Coréia do Sul. Este último citado em reportagem de um telejornal contava que os setores industrial e comercial estabeleciam seus horários em função da jornada escolar, policiais escoltavam estudantes até a porta de suas escolas e universidades... (parece fantasia!). Pois é... podem espernear, podem sapatear!, porque ainda hoje, para muitos cidadãos brasileiros (bauruenses são, também, brasileiros... ah, vá!) e autoridades, proteger seus professores e educandos, dando-lhes melhores condições de trabalho e de aprendizagem significa romper com um paradigma que demanda mesmo de muita reflexão, mas acima de tudo de muita boa vontade, depois compreender e aceitar que investimentos sérios e vultosos em educação são sim imprescindíveis! Mas também é compreensível toparmos com mentalidades tão desatualizadas (heranças que o tempo ainda não consumiu), que a nossa história colonial explica: enquanto Lisboa titubeava em aceitar os iluministas (para reformar seu sistema de ensino - se para a metrópole já era difícil, imagine o que restava para a colônia do além mar!), a Inglaterra adentrava a revolução industrial como protagonista. É verdade que Portugal reconheceu antes a necessidade de se preparar para novos tempos (ô pá!, e naquela época, hein!), os ingleses perceberam depois, entretanto, foram mais felizes tomando iniciativas certeiras sem desconfiança de se tornarem materialistas ou ateus. Então eu pergunto: e hoje, que fantasmas tememos? Enquanto decidimos, sustentemo-nos (melhor se nos alavancássemos) com Bolsas, divertimo-nos sob meteóricas paixões de até o quinto grau e antes que o cerco feche de vez, vamos rezando e torcendo (Brasil, il, il, il,...) para que encontremos logo a saída para qualquer parte.
O autor, João Paulo Castilho Herrera,é professor de matemática no ensino fundamental e no ensino médio