Empresários e motoristas “torceram o nariz” para o custo financeiro para estacionar no corredor comercial nos Altos da Cidade desde ontem. No primeiro dia de estacionamento rotativo no local, muita gente reclamou ao JC que a Área Verde não irá disponibilizar vagas e somente representará taxação para clientes e funcionários de empresas. Alguns chegam a projetar que as vagas rotativas diminuirão a frequência de clientes.
Para estacionar nas ruas Rio Branco, do quarteirão 19 ao 23, Gustavo Maciel do 20 ao 24 e Antônio Alves, do 29 ao 35, o custo é de R$ 1,00 a hora parada, com opção de renovação por mais uma hora. Após isso, o motorista terá que mover seu veículo para outro lugar. Polêmica à parte de como fiscalizar carro por carro, o fato é que não há estacionamento privativo na região. Se houvesse, o securitário Wesley Oliveira calcula que teria um gasto de R$ 560,00 mensais em média, valor correspondente a 20 dias pagos de estacionamento particular, com a hora estacionada custando R$ 3,50, para oito horas diárias.
Porém, no entorno em que vigora a Área Verde, a única alternativa para fugir do rotativo é parar em ruas transversais, geralmente distantes do lugar de trabalho ou longe dos pontos de serviços e comércio. Neste perímetro, se optou por implantar o estacionamento rotativo que propicia apenas talões de uma hora renovável por mais 60 minutos.
A cidade ainda conta com a Área Azul na região expandida do Centro com cartão de R$ 1,50 e para permanência de duas horas. No setor conhecido como Altos da Cidade e que engloba parte do Estoril e do Jardim América, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) optou pelo cartão verde pensado na rapidez de rotatividade de vagas em lugares de concentração de comércio.
É exatamente por atrair consumidores de produtos e serviços que os empresários, trabalhadores e usuários estão reprovando a medida. Carlos Artur Serrano Vieira, proprietário de uma doceria na quadra 21 da Rio Branco, avalia que o rotativo pode ser um “tiro no pé” para seu estabelecimento, onde as pessoas vão e vem com muita fluidez, porque param seus carros, compram os alimentos e vão embora.
“O problema é se isso não irá se virar contra a gente”, teme o comerciante pela possibilidade de diminuição de fregueses em sua doceria. Vieira tem três vagas de estacionamento em guia rebaixada no seu estabelecimento, insuficientes para a demanda. Aqueles compradores que não vão usar o rotativo, estacionarão na frente podendo até bloquear momentaneamente os que estacionaram nas vagas. “É um transtorno para estacionar e, se soubesse, não teria vindo para cá”, finaliza o comerciante.
Do outro lado da rua e mais à frente, o pessoal de um curso de idiomas não gostou nada da novidade. O diretor-geral da rede de idiomas em Bauru José Roberto Lobato explica que a empresa investe na cidade há 30 anos, com outra unidade na avenida Nações Unidas. Ele conta que a escola “fugiu” do caos da falta de vagas para estacionar na Rio Branco instalando-se em um imóvel na rua Cussy Júnior. Passado algum tempo, tiveram que deixar a Cussy quando da implantação da Área Azul.
Ontem, Lobato foi surpreendido com a novidade desagradável em sua porta. O prédio possui duas vagas rebaixadas e tem permissão para desembarque de alunos. No entanto, muitos estudantes precisam estacionar seus automóveis para frequentar as aulas.
Lobato argumenta que o consumidor é penalizado com mais uma cobrança de uma taxa, ao invés do poder público municipal estimular o comércio e serviços e, por consequência, gerar arrecadação de impostos, como ICMS.
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Multas começam segunda-feira
Desde ontem, os orientadores do estacionamento rotativo trabalham na conscientização dos motoristas no perímetro das ruas Rio Branco, Gustavo Maciel e Antônio Alves notificando aqueles que não estampam em seus para-brisas o cartão da Área Verde. O gerente técnico de infrações da Emdurb, Gustavo Cardoso, comenta que, a partir da próxima segunda-feira, o motorista que não cumprir com as normas do estacionamento rotativo será multado em R$ 53,00 e ganhará três pontos na CNH.
Ele esclarece que os orientadores não vão vender os cartões e que o motorista terá que adquirir os talões em postos de venda divulgados pela Emdurb. Os funcionários que fiscalizam a efetiva rotatividade nas vagas estarão postados um para cada três ou quatro quarteirões.
Cardoso enfatiza que os próprios empresários da região pediram a implantação do estacionamento rotativo. Atualmente, conforme o gerente técnico, o sistema rotativa é deficitário mesmo com a expansão para o Altos da Cidade. “Em relação ao custo de talão, uniformes, de estrutura do setor. Então, a venda não se paga”, revela. Cardoso justifica a implantação para gerar rotatividade de vagas de estacionamento, que atualmente são quase 1.800 no município.
Ele explica que o sistema rotativo tentará solucionar uma reclamação de que funcionários de empresas deixam seus automóveis estacionados nas vagas durante todo o dia - cerca de 8 horas diárias - sem abrir espaço para os estabelecimentos comerciais. “O comércio passou a migrar para a zona sul e não pensou no estacionamento”, avalia o técnico da Emdurb. Ao ser questionado sobre a falta de planejamento do poder público ao autorizar a criação de novos corredores comerciais, Cardoso entende que o rotativo é a solução. “Não posso responder pela prefeitura. Eu posso falar que para nós solucionarmos o problema no trânsito, no estacionamento, que é da Emdurb, a solução é o rotativo.”
Ele ainda lembra que as ruas transversais estão livres do rotativo tornando-se alternativas para quem trabalha na região.
Para garantir a rotatividade de no máximo duas horas com um veículo no mesmo ponto, os agentes de trânsito estarão orientados para fiscalizar os casos de insistência do proprietário em descumprir a norma de estacionamento rotativo.
A Emdurb esclarece que os talões podem ser adquiridos na rua Rio Branco, nos estabelecimentos de números 19-44, 21-17, 21-45, 22-11, 22-20 e 22-64. Na Gustavo Maciel no 22-07, 22-55, 23-60, 23-75, 24-10 e 24-87. Na Antônio Alves no 29-20, 30-13, 30-18, 31-63, 31-51, 32-54, 33-20 e 34-77.
Cardoso destaca que, com o talão, o motorista pode preencher 15 minutos para não utilizar a hora cheia.