Figura lendária, Tântalo foi supliciado por haver roubado os manjares dos deuses para dá-los a conhecer aos homens. Seu suplício era estar perto de água, que se afastava quando tentava bebê-la, e sob árvores que encolhiam os ramos quando lhes tentava colher os frutos. A adjetivação tantálico passou a denominar aqueles consistentes em negar sempre aquilo que já parece alcançado (vide “O ministro perde a linha” 27/11/2009, A3). O “nosso” Estadão (10/12/2010, A4) denuncia mais um malfeito da série “Farra dos institutos”. As evidências que o ministro Alexandre Padilha está a negar remetem-nos ao lendário suplício de tântalo.
O que pareceu alcançado de uma forma ou de outra pode talvez significar, pela postura de atitudes dos últimos dias da presidente Dilma, mais uma não convocação de Padilha para seu “staf” ministerial. A negativa que o ministro afirma em relação a suposta fraude existente na sua assinatura, se comprovada pela Polícia Federal, pode significar a ponta do iceberg denunciado pelo jornal. A prevalecer a hipótese, certamente será um “salve-se quem puder”...
Nicanor Amaro Silva Neto