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Fora da prisão, fundador do WikiLeaks diz estar feliz com apoio de Lula

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse que é maravilhoso sair do confinamento com o apoio de “pessoas perto do poder”, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A declaração foi dada em um das primeiras entrevistas de Assange ao jornal espanhol “El País”, após sair da prisão temporária em um pedido de extradição do Reino Unido para a Suécia pela acusação de crimes sexuais.

“(Lula) é um caso especial, porque está deixando o cargo, e isso lhe permite ser mais direto do que havia sido. Já não tem que prestar nenhuma lealdade aos Estados Unidos”, ressalvou Assange ao “El País”.

“É maravilhoso ter deixado o confinamento. Me sinto muito determinado. Vi que recebemos apoio em escala mundial, especialmente na América do Sul e Austrália e é como se todo mundo, em todas as partes tivesse nos apoiado. Mas quanto mais próximo está um homem do poder, menos predisposto está a nos apoiar, provavelmente porque tem mais a perder. Nos últimos dez dias, temos visto gente, incluindo próximas do poder, que demonstraram seu apoio.”

Dente quebrado

Assange contou ao “El País” um caso engraçado durante a detenção, em que ele quebrou um dente enquanto comia arroz com ervilhas com um pequeno objeto metálico.

O criador do WikiLeaks não sabia como aquilo havia parado em sua comida, mas pegou o dente e o guardou em um papel. Depois, ao voltar para sua cela, descobriu que o dente havia sido levado. “Logo estará a venda no Ebay (site de leilões pela internet)”, brincou Assange, na entrevista.

Ao jornal “El País”, o australiano disse que estava sendo constantemente ameaçado. “Recebi ameaças de morte o tempo todo. Meu advogado recebe, meus filhos recebem”.

Ele acredita que elas devam vir de membros do Exército americano. Assange disse também que foi transferido três vezes na prisão, sob o temor de ataque de outros detentos perigosos.

“Não podia sair da minha cela, mas muitos presos passavam coisas por debaixo da minha porta. Havia muita curiosidade”, afirmou Assange, que recebia muitas cartas de curiosos.

“Terrorista high-tech”

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que Assange é um “terrorista de alta tecnologia” e confirmou que o Departamento da Justiça estuda meio de processá-lo.

“Estamos analisando (o caso). Se conspirou com um militar dos EUA para chegar a esses documentos secretos, seria completamente diferente de tê-los entregue a um jornalista”, afirmou Biden em entrevista à TV NBC. “Este homem fez coisas que nos prejudicaram, puseram em perigo a vida e a profissão de determinadas pessoas no mundo, complicaram as relações com nossos aliados e amigos.”

Os EUA avaliam acusar Assange com base na Lei de Espionagem, de 1917, mas para isso precisam provar que o fundador do WikiLeaks colaborou com o autor dos vazamentos de mais de 250 mil documentos diplomáticos dos EUA.

Segundo Biden, o Departamento da Justiça estuda ainda formas de impedir que o WikiLeaks siga revelando documentos.

Assange obteve liberdade vigiada na última semana após ficar sete dias preso em Londres. Ele é acusado de crimes sexuais na Suécia e enfrenta processo de extradição para o país.

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