Tribuna do Leitor

Quércia e a democracia


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O comendador Martha dizia que o homem fica pelas ações que pratica. De certa forma, o Quércia é tão lembrado por ações consideradas negativas como positivas. Todavia, os mais antigos lembram-se da votação enorme que ele teve defendendo o MDB na campanha para o Senado (1976), em plena época do militarismo, além de seu decreto, sancionado como governador, que transformou a nossa FEB em Unesp, beneficiando 5.000 estudantes. Sempre tive admiração por ele.  Recordo-me dele vestindo terno branco na porta da PUC, à rua Dr. Quirino, de Campinas, fazendo aquele excelente curso de Direito. Na campanha para a Prefeitura de Campinas, comentava-se na cidade que Quércia havia vencido a eleição aplicando o conhecido método da visita de porta em porta. Ele era muito trabalhador nas campanhas em que se envolvia. Houve uma vez que ele visitou Bauru como candidato e, falando como vereador do PMDB, eu usei uma metáfora que o Fauzer Banuth usava quando menino: - Agora o balão subiu e não adianta mais atirar pedras. Sei que haverá discordância quanto a essa posição, mas um indivíduo que fazia parte do pequeno grupo de fundadores do MDB merece ao menos a nossa atenção. Ele, Ulysses, Teotônio Vilela e companheiros merecem de certa forma o agradecimento pela cristalização da democracia que ora congraçamos.

Rui Bertoti

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