Tribuna do Leitor

VELHOS, NOVOS TEMPOS


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Tudo começou naquela manhã de primavera quando aos primeiros raios de sol a adentrar na cozinha via-se a fumaça do fogão a lenha a permear o ambiente num tom de nevoeiro, mas tudo se via. Numa via de dois sentidos, nossos sentidos, já entorpecidos, deixaram de se amargurar, o bom café passava levemente no coador de pano, o cheiro se instalava no ar, ah, o leite fervia brandamente no canecão... O cheiro de pão aquecido no forno chegava na porta... A horta cintilava com o instalar dos primeiros golpejos de luz do sol, o orvalho depositado pela madrugada saltava ao solo alimentando a terra com simplicidade... Ao fundo, o cocoricó do galo reinava no galinheiro, lembrando que o dia chegava, eram horas primeiras de uma verdade inteira que tocava o coração sertanejo... O único som que se ouvia é o sabiá trocando notas com as maritacas, e o galo a orquestrar os dois, de fundo a leiteira assoviava o leite já fervido...

A alma já ferida pela manhã tocava-nos a orar e agradecer ao bom Deus mais uma noite bem dormida... Bons tempos em que o rádio era o cantarolar dos pássaros e o e-mail era o caixeiro viajante vindo da cidade grande trazendo novidades e fofocas... Incrustado nessas lembranças que ficaram de minha infância, adormecida e talhada no tempo onde todos se conheciam e falar bão dia e bas tarde era natural, sem esforço, ou mera educação... Hoje tudo mudou. A gente tem que educar para as pessoas falarem bom dia... Lembrar de um amigo em comum... Mandar um bilhete, uma carta... Visitar um doente...

Despertemos para esse passado tão distante e tiremos dele através desses exemplos um comentário para essa juventude bem viver esse presente cheio de novidades e tecnologia... Quando o dia amanhece no e-mail e anoitece no orkut, quando raramente se fala bom dia ou boa noite a alguém... Amém.

Extraído de Contos e Confissões, do bauruense Cláudio Motta Maximino

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