Nos dias 11 e 12 de dezembro, no Teatro Veritas, da USC, o Ballet Vitória Régia nos encheu mais uma vez de beleza, leveza, graciosidade e certeza de que um festival de dança sempre nos encanta. Quero parabenizar a prof. Dalva pela atitude corajosa em cancelar o seu festival no Teatro Municipal, em pleno dia da apresentação.
Sei o quanto é difícil adiar um trabalho de meses de preparação. A responsabilidade é muito grande, porque estamos lidando com os sonhos de todas as pessoas envolvidas, principalmente as crianças que vão entrar num palco pela primeira vez. Isso sem contar tantas outras consequências. Dalva tem prudência, é serena, batalhadora e humana.
Por um lado, a grande vontade em realizar mais um festival e por outro lado a falta de infraestrutura e segurança no Teatro Municipal, a ausência de um calendário agendado de ensaio para as academias, pelo menos alguns dias antes do seu festival, a dificuldade de fazer Peter Pan voar na última cena e o mais grave: o estado de calamidade pública que Bauru en-frentou e até a despedida de uma vida, vítima das águas barrentas da avenida Nações Unidas. Não era o momento de realizar o festival e a atitude de Dalva estava acima do ego pessoal e a favor da vida.
Faço parte desse sonho há quinze anos e sempre me emociono com a magia e a serenidade do Ballet Vitória Régia e vi de perto a perseverança de Dalva e, mais uma vez, o que parecia impossível num momento tornou-se possível em outro. Só sei que Peter Pan subiu e voou na última cena como um passarinho que sabe onde está o seu ninho.
Bauru merecia esse presente e jamais poderia ficar sem o tradicional Festival do Ballet Vitória Régia. Parabéns a todos que tiveram de imediato a compreensão de uma atitude ousada e corajosa.
Manoel Fernandes - integrante do Corpo de Baile do Ballet Vitória Régia