Iacanga – O delegado da Polícia Civil de Iacanga (50 quilômetros de Bauru), Doniseti José Pinezi, ouviu ontem o proprietário da fazenda onde exames feitos por laboratório de Piracicaba detectaram a presença do agrotóxico conhecido como Regent em galhos, flores e folhas de uma plantação de laranja. O produto teria contaminado e provocado a morte de abelhas de cerca de 250 colmeias pertencentes a apicultores da região. O acusado nega o uso do agrotóxico, mas o delegado diz que o crime ambiental está configurado e vai solicitar à Justiça a responsabilização do dono da propriedade.
Segundo Pinezi, as investigações estão concluídas e o inquérito deve ser relatado ao Juízo de Ibitinga até o fim da semana. “Eu estou aguardando por parte das vítimas o montante de quantas abelhas foram mortas”, afirma. O delegado conta que, em depoimento, o proprietário da fazenda negou qualquer contato com o Regente. “Ele alegou que pode ter sido em decorrência de algum avião que pulverizou ou alguma pessoa que fez isso por maldade”, diz. O nome do acusado não foi fornecido.
Contudo, as alegações do acusado não convenceram o delegado, que já recebeu o laudo comprovando a contaminação do laranjal pelo agrotóxico. “Eu conclui que houve um crime ambiental porque esse produto não é autorizado a passar em laranja e, logicamente, o proprietário da fazenda é o responsável porque, embora ele esteja negando, a verdade é que a prova material está lá, além da prova testemunhal”, revela.
A morte das abelhas – cerca de 8 milhões contabilizadas até anteontem, que resultaram em prejuízos de aproximadamente R$ 50 mil – começou a ser percebida por apicultores da região de Iacanga no dia 10 de agosto. O caso foi denunciado ao Jornal da Cidade pelo presidente da Associação Bauruense de Apicultores Meliponicultores e Ambientalistas (Abama), Guilherme Carlos de Oliveira Telles Nunes.
A suspeita, segundo ele, era de que elas tivessem morrido em decorrência de contaminação por Fipronil, agrotóxico de uso controlado conhecido como Regent que não pode ser aplicado em citrus. O caso foi denunciado na delegacia de polícia de Iacanga, Polícia Ambiental e Casa da Agricultura da cidade. No dia 17 de agosto, três produtores contrataram o advogado Alexandre Abdala, que levou o caso à Promotoria de Justiça de Ibitinga. Por meio de ação cautelar, Abdala conseguiu autorização para que fossem colhidas amostras da plantação de laranja de uma fazenda onde um funcionário teria confirmado o uso do Fipronil, conhecido como Regent, na florada da fruta.