Abidjan - O presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, rejeitou ontem um pedido de três presidentes africanos para renunciar ao poder.
Governos regionais e mundiais querem que Gbagbo entregue o poder ao oposicionista Alassane Quattara após as eleições do mês passado terem provocado uma disputa que matou mais de 170 pessoas e ameaça colocar o país de volta numa guerra civil.
Os três presidentes - Boni Yayi, do Benin, Ernest Bai Koroma, de Serra Leoa, e Pedro Pires, de Cabo Verde- chegaram ontem a Abidjã para entregar um pedido assinado pelo bloco dos países da África Ocidental, o Ecowas, pela renúncia de Gbagbo. Caso recusasse, enfrentaria uma intervenção militar.
O governo de Gbagbo havia dito inicialmente que receberia os emissários “como irmãos e amigos e escutaria a mensagem que vieram entregar”. Mas pouco antes da reunião prevista com Gbagbo, seu governo alertou que não toleraria a interferência em seus assuntos internos, e não cederia a nenhum pedido.
Segundo alguns jornais, a insistência do governo do atual presidente sobre a vitória nas eleições e a afirmação de que ele tem o apoio da Constituição marfinense para tal indicavam que Gbagbo não cederia ao ultimato para renunciar.
Tropas da ONU atacadas
Três veículos da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim com 22 soldados foram atacados ontem em Abidjã, por um “numeroso grupo” de pessoas. Um agente foi ferido a facadas, informou a missão da ONU no país.
Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram uma proibição de viagem a Gbagbo e às pessoas próximas a ele, enquanto o Banco Mundial e o banco central da África Ocidental congelaram suas finanças numa tentativa de reduzir sua força no poder.