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Depois de denunciar assédio, mãe e filhas são colocadas na rua

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Uma possível prática de assédio sexual dentro de uma família resultou em uma situação inesperada. Uma faxineira foi colocada na rua pela própria avó depois de denunciar que seu tio, de cerca de 50 anos, havia assediado a filha mais velha dela, uma adolescente de 16 anos. O homem é filho da idosa, que é proprietária do imóvel onde todos estavam até a manhã de ontem, no Jardim Redentor.

A história, tão confusa quanto triste e inusitada, começou a se desenhar na semana passada, quando a faxineira, moradora de Presidente Epitácio (município que fica na fronteira com o Mato Grosso do Sul), decidiu passar as festas de final de ano em Bauru. Para chegar até a casa da avó, ela contou com a carona de um tio, que vive em Rondônia e também viajou para visitar a idosa, sua mãe.

Dias depois de chegarem à cidade, o homem supostamente teria oferecido roupas e dinheiro para que a adolescente fosse com ele até um motel próximo. A adolescente teria negado a proposta, mas só revelado o convite à mãe na manhã de ontem.

“Ela me contou e, na hora, fui tirar satisfações. Chamei a polícia e eles encontraram um monte de filmes e fotos de pornografia com ele. Na viagem até Bauru, ele não demonstrou nenhum comportamento estranho, mas depois que chegamos, foi mudando”, considera a mãe da suposta vítima. Segundo ela, além de assediar a sobrinha-neta de 16 anos, o tio teria feito propostas semelhantes a outras garotas do bairro.

Quando a polícia chegou na casa, além de material pornográfico, também encontrou um aparelho celular e uma câmera fotográfica com fotos dos genitais do suspeito, além de imagens dele beijando mulheres adultas. Os equipamentos foram apreendidos e levados ao Plantão da Polícia Civil, para onde foram encaminhados o homem e a faxineira, acompanhada das filhas de 16 e 11 anos. A caçula não teria sido abordada pelo tio da mãe.

Suspeito liberado

Segundo a delegada plantonista Luciana Claro Rodrigues, a prática de assédio não foi confirmada e o suspeito foi liberado após prestar depoimento. O caso, entretanto, continuará sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

“Pode até ser que a história relatada seja verdadeira, mas é preciso investigação para chegar a alguma conclusão neste sentido. Todo o material que chegou às minhas mãos será encaminhado à DDM, mas eu não tinha elementos para manter este homem preso”, salienta a delegada.

Após deixarem o Plantão Policial, a faxineira voltou com as filhas para o Jardim Redentor. Para a surpresa das três, a avó não permitiu a entrada da neta e das bisnetas no imóvel. Sem conhecer outras pessoas na cidade, nem mesmo os serviços de assistência social mantidos pelo município, a mulher ficou em uma praça do bairro durante toda a tarde e início da noite de ontem, contando apenas com a solidariedade de vizinhos.

“Eles me deram água, comida e deixaram a gente usar o banheiro quando precisou, mas nós ficamos na rua porque não tinha onde ficar. Além de não conhecer ninguém, também não tenho dinheiro para ir para lugar nenhum”, reclamava ela, por volta das 20h de ontem, depois de passar horas sob o sol forte do verão bauruense.

Após fazer contato com o Jornal da Cidade, a reportagem acionou o Conselho Tutelar, que até aquele momento não tinha conhecimento sobre o caso. O órgão foi até a praça onde a faxineira ainda estava com as filhas e, por volta das 21h30, elas foram encaminhadas ao Albergue Noturno do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac). Na manhã de hoje, conforme se comprometeu o conselho, também seriam providenciadas passagens de ônibus para que a família pudesse retornar a Presidente Epitácio.

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