Turismo

Passeio inesquecível pelo Velho Chico

Eliane Barbosa e APG
| Tempo de leitura: 4 min

Mutante, o Rio São Francisco muda de cara, de jeito, de cor, enquanto serpenteia por seus 2.830 quilômetros. Brota sem nenhum charme, diretamente do chão, em uma área que mais parece um lamaçal na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Aos poucos, torna-se caudaloso, imponente, indispensável para os municípios que corta. E, alguns quilômetros antes de se misturar ao Atlântico, em Alagoas, presenteia os visitantes com uma formação singular: o Cânion do Xingó.

Trata-se do quinto maior cânion navegável do mundo, com 62 quilômetros de extensão e até 150 metros de profundidade. Para desbravar esse trecho, é preciso percorrer 200 quilômetros desde Aracaju até a pequena Canindé de São Francisco, já na divisa com Alagoas. É de lá que partem os barcos que levam os visitantes para explorar a região.

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Hospitalidade sergipana

Se você caminhar pela orla de Aracaju, pode pegar um táxi, uma van ou um ônibus, que o tratamento será igual: os sergipanos adoram receber bem. Paulista como a gente é o que não falta por lá. E todos fazem questão de que a primeira e a última impressão fiquem.

Que o diga o motorista José Enaldo dos Santos, que deixa a timidez de lado quando a ordem é mostrar a quem chega, o que Aracaju tem de especial. Pelo espelho retrovisor da van ele observa e se dá por satisfeito com a aprovação dos visitantes encantados com a limpeza da capital, qualidade do ar e a beleza do céu.

Retribui com o melhor sorriso e hospitalidade encontrada por todos os cantos: de Aracaju a Canindé do São Francisco, que tem na Secretaria de Turismo como titular a jornalista Sílvia de Oliveira, o resumo da cordialidade e competência sergipana.

Motoristas, secretárias, vendedores, recepcionistas, vendedores de rua. Todos recebem muito bem. E não cansam de apontar o que Aracaju e o Estado com um dos maiores PIBs do País tem de melhor.

Aracaju, apesar de capital do Estado ainda conserva ares de cidade de interior. É tranquila, pacata e agradável. Atalaia é a praia urbana mais badalada.

Conta com uma impecável estrutura, com quiosques padronizados, quadras esportivas, parque para crianças e um centro cultural, onde ocorre a feira de artesanato nos fins de semana.

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Entre rochedos e águas cristalinas

O passeio vai durar 3 horas e 30 minutos, com diversas paradas para observar as curiosas formações rochosas pelo caminho. A primeira delas é a Pedra do Gavião: a rocha no alto do morro se assemelha à cabeça da ave. Seguindo um pouco mais, surge o Morro dos Macacos, lar de espécies em extinção, como o macaco prego e o sagui. Adiante, a natureza prega peça aos olhos: a Pedra do Japonês lembra um pagode oriental. No meio da imensidão do São Francisco surgem os primeiros paredões. A impressão que se tem é que foram talhados à mão - razão pela qual a área é conhecida como Paraíso do Talhado.

Logo na entrada do cânion, a imagem de São Francisco de Assis, instalada sobre uma rocha, recebe os visitantes. Em outubro, durante as comemorações pelo dia do santo, a imagem sai de seu lugar original e percorre o rio nas procissões fluviais.

Entre uma atração natural e outra, você faz um exercício de imaginação. Como seria o lugar sem toda essa água? “Antes de o rio encher, aqui havia uma fazenda de curtume”, explica o guia Jairo Luiz Oliveira. O local, onde existiam apenas algumas corredeiras, foi alagado em 1994, para a criação da Usina do Xingó.

Falta pouco para o ponto alto do tour. Chegando à Gruta do Talhado, os visitantes podem pular n’água para refrescar-se do calor - para quem não sabe nadar, há boias disponíveis. O barco ficará ali por uma hora, tempo suficiente para nadar e conhecer a caverna formada pelo estreitamento das paredes do cânion. Para isso, suba no bote e siga com o guia. E não se assuste caso os morceguinhos que moram ali venham dar as boas-vindas.

Casa de bonecas

Na volta, a dica é dar uma esticadinha até Piranhas, já do lado alagoano. A partir de Canindé de São Francisco, basta cruzar a ponte para chegar à cidadezinha tombada pelo Patrimônio Histórico da União. Graciosa, tem casas coloridas, que mais parecem de boneca, encravadas entre ruas de paralelepípedo.

A cidade está diretamente ligada à história do cangaço - ou ao fim dela. Nunca sofreu ataques de Lampião por uma questão estratégica: a cidade só tinha uma passagem e o bando poderia ficar encurralado. No entanto, foi de Piranhas que partiram as tropas que emboscaram o cangaceiro. E, em sua praça principal, foram expostas as cabeças de Lampião, Maria Bonita e outros nove aliados.

Percorra tudo a pé, de olho na arquitetura local, e dê uma paradinha no Centro Cultural e no Museu do Sertão para conferir um pouco da história da cidade - e fotos do bando de Lampião. Na hora da fome, parada estratégia no A Bodega, quitanda que virou restaurante e, de quarta-feira, toca forró pé de serra, num típico ambiente sertanejo. O salão fechado funciona apenas com as luzes de lamparinas - e a comida é deliciosa.

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