Ausente da São Silvestre desde 2005, o brasileiro Marílson Gomes dos Santos venceu ontem a 86ª edição da São Silvestre, acabou com a supremacia queniana na etapa masculina e tornou-se o único atleta nacional tricampeão. Marílson fez o tempo de 44s07. No feminino, a vencedora foi a queniana Alice Timbilili, campeã de 2007, com direito a recorde. Ela fez o tempo de 50s19, seguida pela brasileira Simone Alves. Ela melhorou em sete segundos o recorde que era da compatriota Hellen Kimayio desde 1993.
Em quase dez minutos de prova, o marroquino Mohamed El Hachimi e o brasileiro Israel dos Anjos, recém-segundo colocado da Gonzaguinha (espécie de prova preparatória para a São Silvestre) despontaram pela descida da Avenida da Consolação e deram mostras de que estavam desempenhando o papel de coelhos, atletas contratados para forçar o ritmo de prova. Logo atrás, Marílson, principal esperança brasileira, e a elite queniana, hegemônica desde 2007, permaneceram no chamado pelotão principal.
Perto do final do Elevado Costa e Silva, o marroquino perdeu o ritmo e Marílson - que havia afirmado que viria para vencer - tomou a ponta. O bicampeão da prova (2003 e 2005) demonstrava uma fisionomia tranquila e, sempre que podia, olhava a distância para os quenianos Emmanuel Bett e Barnabas Kiplagat Kosgey.
Mais da metade da prova, em meio à Avenida Pacaembu, o fundista brasiliense, bicampeão da Maratona de Nova Iorque em 2006 e 2008, forçou ainda mais a toada almejando acumular uma vantagem considerável antes de iniciar a parte crítica dos 15km. Apesar do trajeto mais íngreme, Marílson, que não correu pelas ruas paulistas nas últimas quatro edições, continuou firme e animou os torcedores brasileiros espalhados pelas calçadas.
Já na subida da perigosa Avenida Brigadeiro Faria Lima, Marílson acumulava uma considerável vantagem de, em média, de 200m e causava a expectativa de bater o recorde da prova, que pertence ao queniano Paul Tergat (em 1995). Minutos depois, Marílson, com o número 205, chegou à Avenida Paulista e, embalado pelo público paulistano, cruzou a linha de chegada com o tempo de 44min07.
Feminino
A queniana Alice Jemeli Timbilili conquistou o bicampeonato da prova feminina. Repetindo o feito de 2007, a africana assumiu a liderança na Avenida Pacaembu e não foi mais ameaçada até alcançar o prédio da Fundação Cásper Líbero, linha de chegada da tradicional corrida de rua. Timbilili manteve seu ritmo entre 15km/h e18km/h e venceu o evento com o tempo de 50min20s, batendo o recorde da prova, que pertencia à compatriota Hellen Kimayo, vencedora em 1993.
Graça Maria Silva Moreira saiu na frente, mas já na Rua da Consolação, a brasileira ficou para trás e um pelotão com Andriana Rosa Pereira, Cruz Nonata da Silva, a equatoriana Diana Judith Landi Andrade, as quenianas Eunice Jepkirui Kirwa e Alice Jemeli Timbilili, e a tanzianiana Anastazia Msandai Mhomi Ghamaa liderava a prova.
No fim da Consolação, Diana Judith passou a imprimir um ritmo mais forte e se distanciou do pelotão, mas ficou para trás na entrada da Avenida São João. Nesse momento, as brasileiras Cruz Nonata e Simone Alves da Silva, e as quenianas Kirwa e Alice Jemeli Timbilili, tomaram a frente da corrida, com esta última levando um pouco de vantagem.
Aos 14 minutos de prova, Nonata passou a perder velocidade, e o trio dividiu a ponta até a metade da prova, na Avenida Pacaembu, onde Timbilili apertou o passo, deixando Simone em segundo lugar, cerca de 600m para trás. No Viaduto do Chá, as cinco primeiras eram Timbilili, Simone, Kirwa, Cruz Nonata e Diana. Na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, Simone começou a diminuir a distância, mas Timbilili soube controlar o ritmo e conquistou o bicampeonato da prova.
Cadeirantes
Com o tempo de 46min20s, Fernando Aranha Rocha conquistou o pentacampeonato entre os Cadeirantes da 86ª Corrida Internacional de São Silvestre. A chegada foi emocionante, com o paulista terminando apenas quatro segundos à frente de Jaciel Antonio Paulino. O terceiro lugar ficou para o santista Carlos Neves de Souza.