São Paulo - O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), receberá autoridades e empresários hoje, em sua posse, no Palácio dos Bandeirantes, com água, café, suco e pão de queijo.
A simplicidade do evento contrasta com a recepção organizada para José Serra (PSDB), em 2007.
Na ocasião, cerca de dois mil convidados brindaram o início de sua gestão com champagne Chandon e chocolates, que, segundo o cerimonial informou, eram do mesmo tipo que os enviados ao Papa João Paulo 2º.
Alckmin primou pela praticidade, pois tentará encerrar a cerimônia sem atrasos. À tarde, ele irá à posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, em Brasília.
Café
O evento de Alckmin foi organizado pela chefe de cerimonial de Serra, Claudia Matarazzo, em parceria com a Secretaria de Comunicação.
Em entrevista à reportagem, em 2007, quando detalhou o evento preparado por ela para Serra, Claudia condenou posses regadas a café e água.
"Não será uma festa a seco. Me disseram que a posse deveria ter só água e café. Deus me livre! Para 2.000 pessoas não é possível fazer um café bom. É uma judiação com os convidados", afirmou ela à época.
Ainda assim, a festa de Alckmin custará cerca de R$ 180 mil.
Alianças visando 2014
O tucano Geraldo Alckmin estreia hoje um governo desenhado sob medida para seu projeto eleitoral, seja a busca da reeleição ou da Presidência da República.
Além da tentativa de ampliação do arco de alianças - com inclusão do PSB e reserva de espaço para o PMDB, por exemplo - a montagem de seu secretariado mostra um esforço de asfixia de um potencial adversário do tucanato em 2014: o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).
"Temos que levar o governo mais para esquerda", justificou Alckmin nos últimos dias a interlocutores.
"Nossa base está muito fragmentada", acrescentou.
Não é só. Ao atrair o chamado bloquinho e manter o PMDB na sua esfera, Alckmin tenta debilitar uma eventual candidatura de Kassab ao governo do Estado.
Prestes a se filiar ao PMDB, Kassab tenta se viabilizar como alternativa à polarização entre PT e PSDB no Estado.
Também para neutralizar Kassab, o tucano adensa os laços com o vice Guilherme Afif, o único do DEM contemplado com uma vaga no seu secretariado.
Uma das apostas para disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2012, Afif tem sido tentado a se filiar ao PSDB (e não ao PMDB), caso Kassab migre mesmo para a base do governo Dilma.
Chalita
A montagem da equipe também reflete a disposição de Alckmin de influir na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Derrotado por Kassab na eleição municipal de 2008, Alckmin prestigiou três possíveis candidatos: além de Afif, os tucanos Bruno Covas e José Anibal. Também interessado em concorrer à prefeitura pelo PSDB, Walter Feldman está no governo Kassab.
Para ampliar o eleitorado do PSDB entre os mais pobres, Alckmin planeja turbinar os programas de distribuição de renda, unificando ações hoje dispersas.
Já a aproximação com o PSB teve a participação ativa do deputado recém-eleito Gabriel Chalita (PSB). Um dos conselheiros de Alckmin, Chalita participou, segundo tucanos, da indicação até da Secretaria da Justiça.
Sem descartar uma candidatura para a Presidência, Alckmin equilibra-se, dentro do PSDB, na disputa entre aecistas e serristas. Evita tomar partido. Quando questionado sobre sua relação com José Serra ou Aécio Neves, limita-se: "Ótima".